21 dezembro 2006

De bar em bar, de esquina em esquina


Ah... que saudades eu tenho desse tempo!
BONS TEMPOS do Bar du Bocage.
Aquela esquina lotada... muitas histórias, ao longo desses 13 anos!
Dali se mudou pra outra esquina, ainda na mesma Alameda Itu.
É maior, mas não melhor.
Não sei se ele mudou, se eu mudei, se ambos...
Nostalgia!

(antigo Bocage, ainda na outra esquina -- foto de Mario Rodrigues)

20 dezembro 2006

Ode à nossa amada "Rato de Livraria"


Claro, nem todo rato é ruim (o do Ratimbum por exemplo, risos) -- especialmente os de livraria. Especialmente o DESTA tão querida e amada livraria!

Rato
Rato que rói a roupa
Que rói a rapa do rei do morro
Que rói a roda do carro
Que rói o carro, que rói o ferro
Que rói o barro, rói o morro
Rato que rói o rato
Ra-rato, ra-rato
Roto que ri do roto
Que rói o farrapo
Do esfarra-rapado
Que mete a ripa, arranca rabo
Rato ruim
Rato que rói a rosa
Rói o riso da moça
E ruma rua arriba
Em sua rota de rato

(Embolada de "Ode aos ratos" –- Chico Buarque: Carioca)

18 dezembro 2006

Na esquina da Augusta (sem "vender o corpinho"!)


Há uns botecos nas esquinas da Augusta que vale a pena freqüentar.
São botecos descolados que em nada te "desabonam" caso você seja flagrada na esquina da Augusta. (hehehe)

Monarca -- esquina da Augusta com a Rua Luís Coelho
BH -- esquina da Augusta com a Rua Luís Coelho
Charm -- esquina da Augusta com a Rua Antônio Carlos
Ibotirama -- esquina da Augusta com a Rua Fernando de Albuquerque
Cuca Ideal -- esquina da Augusta com a Rua Fernando de Albuquerque

A cerveja é geladíssima, os petiscos não são caros e vc se diverte!
Como sempre: NÃO SE ESQUEÇA DE ME CHAMAR!
(lógico!)

14 dezembro 2006

Twenty-fourth day... Twenty-four hours


Nada vai permanecer
No estado em que está
Eu só penso em ver você
Eu só quero te encontrar

Geleiras vão derreter
Estrelas vão se apagar
E eu pensando em ter você
PELO TEMPO QUE DURAR

Coisas vão se transformar
Para desaparecer
E eu pensando em ficar
A vida a te transcorrer

E eu pensando em passar
Pela vida com você

(“Pelo tempo que durar” -– Marisa Monte [em parceria com Adriana Calcanhotto]: Infinito Particular) -- [Foto: Robert Feinberg])

13 dezembro 2006

O show do ano!


O Karnak está mais vivo do que nunca!
Quem pensa que o Karnak acabou é marinheiro de primeira viagem.
(e perdeu "A marujada de Martim Parangolá"!)

Nós, os karnakianos, prestigiamos, uma vez por ano, os karnakos.
Assistir à celebração desse encontro é orgasmático.
Pra quem já conhece -- DEMOROU! (tvz haja hj ainda uns 3% dos ingressos à venda!).
Pra quem não conhece -- MAIS AINDA! (vai ter de deixar pro ano que vem -- Aduana!).

KARNAK
Onde: Sesc Pompéia
Quando: 20 e 21 de dez., às 21h
Quanto:
R$ 20,00
R$ 15,00 (usuário matriculado)
R$ 8,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes)
R$ 10,00 (acima de 60 anos e estudante com carteirinha).

12 dezembro 2006

Rio: uma semana sim e a outra também!


Aproveitando essa minha fase "Rio -- semana sim, semana não", deixa eu indicar os bares que tenho conhecido.
Esse é o Belmonte -- gracinha de lugar, no qual fiz os cariocas se envergonharem de minha "paulistice" ao pedir uma canja com hortelã (ao invés da tão venerada empada). Em tempo: já comi tanta empada MARAVILHOSA em Sampa... Deve haver também no Rio, mas naquele momento parecia que a canja me apetecia mais (hehehehe). E valeu a escolha: os caldos do lugar são deliciosos (mesmo em pleno calor novembrino carioca!).
O chopp tb estava delicioso!
Então vá lá:

Belmonte
Rua Dias Ferreira, 521
Copacabana -- Rio de Janeiro
Tel.: (21) 2294-2849

Ah... há mais de um Belmonte espalhado pelo Rio!
Isso aumenta o risco de vc dar de cara com um a qualquer momento -- para a sua sorte!

11 dezembro 2006

Mais uma vozinha gostosa


Usando um jargão bem desbotado, Mariana Aydar "canta e encanta".
Gravou Deixa o Verão, de Rodrigo Amarante, e ficou uma delícia.

Tudo bem que eu tb adoro a versão original, com Los Hermanos -- inclusive com o gemidinho de preguiça do final!
Ouve lá na Rádio UOL (clique aí no link da rádio, que te levará diretamente à página do álbum dela, e procure pela música).

E em homenagem ao verão que se aproxima, segue:

Deixa eu decidir se é cedo ou tarde
Espere eu considerar
Ver se eu vou assim chique à vontade
Igual ao tom do lugar

Enquanto eu penso você sugeriu
Um bom motivo pra tudo atrasar
E ainda é cedo pra lá
Chegando às 6 tá bom demais

Deixa o verão pra mais tarde

Uhh.. Ah, ah, aaaah
Uhh.. Ah, ah, aaaah

Não to muito afim de novidade
Fila em banco de bar
Considere toda a hostilidade
Que há da porta pra lá

Enquanto eu fujo você inventou
Qualquer desculpa pra gente ficar
E assim a gente não sai
Esse sofá ta bom demais

Deixa o verão pra mais tarde

Uhh.. Ah, ah, aaaah
Uhh.. Ah, ah, aaaah

E eu digo, cá entre nós
Deixa o verão pra mais tarde

Uhh.. Ah, ah, aaaah
Uhh.. Ah, ah, aaaah

10 dezembro 2006

O charme da Lapa


Taí!
Boa pedida pra quem está "de cara pra cima" no Rio de Janeiro: A LAPA.
Adoro a Lapa de Sampa... e ainda mais a Lapa malandra carioca. (Aliás, Salvador tb tem Lapa!!!)
Estando no Rio, vá conhecê-la. Estando na Lapa, vá à Taberna do Juca (Av. Mem de Sá, 65) tomar um chopp!
Como sempre, não se esqueça de me chamar!
Afinal, cê não está pensando que eu fico dando dica "de graça", né? Tenha dó. O preço é um chopp gelado com colarinho -- então, pode ir tratando de me levar junto! (hehehe).
Brincadeiras à parte -- vá pra Lapa que te curtiu!
E muito!

29 novembro 2006

Menina bonita (ai...!)


Essa é CéU, que, além de bonita, tem uma voz aveludada e deliciosa.
Quem ainda não ouviu a moça cantar (com sua gostosa malemolência), dê-se esse prazer!
Talentosa, CéU tem sido elogiada pela crítica.

Na Rádio UOL é possível ouvir seu CD (clique aí no link da rádio, que te levará diretamente à página do álbum dela).
Deleite-se!

27 novembro 2006

Photoshop?! Che cosa è questo?


Você tem até 4 de março do próximo ano (dá tempo, hein!) para apreciar a ARTE DA FOTOGRAFIA no Centro Cultural Fiesp.
A exposição O Brasil de Marc Ferrez traz mais de 350 imagens do acervo do Instituto Moreira Salles (IMS), entre fotografias e originais, produzidas pelo mestre da fotografia.
Delicie-se com o domínio da luz e da técnica, num tempo muito distante do advento do Photoshop, quando “what you get is what you REALLY see” (subvertando o ditado...).

Onde: Galeria de Arte do Centro Cultural Fiesp – Av. Paulista, 1.313
Quando: de 14/11/2006 a 04/03/2007 -- terça a sábado, das 10h às 20h; domingo das 10h às 19h
Quanto: grátis

23 novembro 2006

Vá à Lagoa -- mas me chame também!


Estando no Rio, taí um lugar que eu recomendo.
A comida é boa, a cerveja é gelada e os garçons são simpáticos!
Também, não há como ficar mal-humorado em frente àquele paisagem: a lagoa é linda!


Av. Borges de Medeiros, s/n
Parque dos Patins

Lagoa Rodrigo de Freitas -- Rio de Janeiro
Tel.: (21) 2294-6210

Mostra de Cinema no CCSP


Na Mostra de Cinema promovida pelo Centro Cultural São Paulo, dois recortes, em especial, me chamam a atenção:

Cinema e Cultura das bordas -- de 21 a 26/11

Arte e Saúde Mental -- de 28/11 a 3/12


Vale a pena assistir -- e os ingressos são de graça!
Como eu sempre digo: o acesso à cultura, neste país, vai muito além de iniciativas públicas -- perpassa, na verdade, pela "iniciativa pessoal" (ou seja: não há falta de eventos, não é falha na divulgação, e sim falta de interresse em ir atrás da informação sobre os eventos!). Em suma: tire a bunda do sofá, desligue a TV, saia do Orkut, feche o MSN e saia por aí!. Há vários eventos gratuitos acontecendo na cidade (portanto, dinheiro tb não é desculpa!).
Basta querer ir!

Quer saber mais sobre a Mostra de Cinema no CCSP?
http://www.centrocultural.sp.gov.br/programacao/cinema.htm

Fa bene mangiare -- Pizzaria Avanhandava 34


É uma delícia de lugar, especialmente se vc está afim de curtir um momento "a dois" (achei BEM propício!), esta pizzaria da Famiglia Mancini.
E como "nem só de pizza vive o homem", experimente as massas (tortelloni verde recheado com ricota é delicioso!).

Rua Avanhandava, 25
Bela Vista -- São Paulo
Tel.: (11) 3231-0033

Em tempo: a Avanhandava tem-se tornado, cada vez mais, o quintal gastronômico da Famiglia Mancini, onde eles vêm cultivando, além desta pizzaria e dos restaurantes Famiglia Mancini e Walter Mancini, um bar, que se chamará Jeremias!

10 novembro 2006

Universo Mítico



Uma das melhores exposições à qual tive oportunidade de ir esse ano (e arrisco seguramente dizer, mesmo não tendo o ano acabado ainda, hein!) foi, sem dúvida, O Universo Mítico de Hector Julio Paride Bernabó, O Baiano Carybé, no Museu Afro Brasil.

A exposição, que contou com mais de 500 peças, entre ilustrações, pinturas, objetos, esculturas, a maioria pertencente à família do artista, foi a maior já realizada depois da morte de Carybé.

Carybé foi “pintor, gravador, desenhista, ilustrador, mosaicista, ceramista, entalhador e muralista” – além de colecionador!

O colorido das telas, a luminosidade das cores, a composição das formas – tudo maravilhoso, delicioso de se ver (no meu caso, especialmente, também os livros – Carybé ilustrou vários!).

Um texto do jornal O Estado de S. Paulo publicado à época da exposição (http://www.estado.com.br/editorias/2006/04/27/cad103535.xml) comenta que “a família de Carybé pretende criar um instituto para abrigar e preservar sua obra”.

Assim esperamos!

(Carybé: Bahia, 1971)

09 novembro 2006

Karnak tocando com um toque de Karnak



O mundo é pequeno pra caramba
Tem alemão, italiano, italiana
O mundo, filé milanesa
Tem coreano, japonês, japonesa

O mundo é uma salada russa
Tem nego da Pérsia, tem nego da Prússia
O mundo é uma esfiha de carne
Tem nego do Zâmbia, tem nego do Zaire

O mundo é azul lá de cima
O mundo é vermelho na China
O mundo tá muito gripado
Açúcar é doce, o sal é salgado

O mundo, caquinho de vidro
tá cego do olho, tá surdo do ouvido
O mundo tá muito doente
O homem que mata, o homem que mente

Por que você me trata mal
se eu te trato bem?
Por que você me faz o mal
se eu só te faço bem?

Todos somos filhos de Deus
Só não falamos as mesmas línguas
Todos somos filhos de Deus
Só não falamos as mesmas línguas

Everybody is filhos de God
Só não falamos as mesmas línguas
Everybody is filhos de Ghandi
Só não falamos as mesmas línguas

("O mundo" -- Zeca Baleiro, Chico Cesar, Lenine, Paulinho Moska -- com um toque de Karnak)

08 novembro 2006

Lá vem ela!


Neste final de semana, Maria Bethânia estará com seu show, Dentro do Mar tem Rio, no Tom Brasil, aqui em Sampa.
Seus dois CDs -- Mar de Sophia (inspirado na obra da poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Andersen) e Pirata (em que "viaja pelo universo folclórico e afetivo das águas e rios do interior do Brasil") -- foram muito bem aceitos pela crítica.

(obs.: como se precisássemos que a crítica afame ou difame para assistir Bethânia!)

Um bom programa pro finde!



Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.
Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.

("Cidade" -- Sophia de Mello Breyner Andresen: Poesia)

Sempre Marcelino!



Nosso querido e jabutizado autor entrecruza preconceito e literatura em entrevista à Revista Bravo

Existe muito preconceito da crítica?

Existe muito preconceito de boa parte da crítica e muita preguiça e acomodação. Mas não quero, aqui, saber dessa regra “dominante”. Mais vale ressaltar figuras como o João Alexandre Barbosa. Foi ele quem primeiro provou do meu Angu de Sangue e acabou indicando o prato a um montão de gente. Quem gostou, gostou.

Quem são os “negros” da literatura brasileira hoje?

São aqueles escritores, verdadeiros, que vivem numa pindaíba danada. Escravos da literatura é o que são. Sem dinheiro para o aluguel, para a cerveja. Talentosos, mas que não se vêem “livres” dessa maldição. Melhor assim, que estejam presos a ela, então.

E os senhores de engenho, quem são?

Conheço uma casa-grande que está cheia deles. Lá, na Academia Brasileira de Letras. Bufam, tomam chá e, salvo alguns poucos, olham pela janela a verdadeira literatura passar. Eu sempre me pergunto o que efetivamente a ABL faz pela literatura no Brasil, me diga. Nadica de nadica. Assim não pode ser. Um dia a senzala toda vai se revoltar. Eu, branco que sou, tô pronto para me misturar. E saravá!

(In: http://bravonline.com.br/noticias.php?id=2268)

Naquela madrugada de 21 de outubro



Se vocês querem saber quem eu sou
Eu sou a tal mineira
Filha de Angola, de Ketu e Nagô
Não sou de brincadeira
Canto pelos sete cantos
Não temo quebrantos
Porque eu sou guerreira
Dentro do samba eu nasci,
Me criei, me converti
E ninguém vai tombar a minha bandeira

Bole com samba que eu caio e balanço o balaio no som dos tantãs
Rebolo, que deito e que rolo, me embalo e me embolo nos balangandãs
Bambeia de lá que eu bambei nesse bamboleio, que eu sou bam-bam-bam
E o samba não tem cambalacho,vai de cima embaixo pra quem é seu fã
Eu sambo pela noite inteira, até amanhã de manhã

Sou a mineira guerreira,
Filha de Ogum com Iansã

Salve o Nosso Senhor Jesus Cristo, Epa Babá, Oxalá!
Salve São Jorge Guerreiro, Ogum, Ogunhê, meu Pai!
Salve Santa Bárbara, Eparrei, minha mãe Iansã!
Salve São Pedro, Kaô cabecilê, Xangô!
Salve São Sebastião, Oki arô, Oxóssi!
Salve Nossa Senhora da Conceição, atô ki apá, Yemanjá!
Salve Nossa Senhora da Glória, oraieiê, Oxum!
Salve Nossa Senhora de Santana, Nanã Burukê, Saluba, agogó!
Salve São Lázaro, atotô, Obaluaiê!
Salve São Bartolomeu, arruboboi, Oxumaré!
Salve o povo da rua, salve as crianças, salve os preto véio;
Pai Antônio, Pai Joaquim de Angola, saravá!
E salve o rei Nagô!


("Guerreira" –- João Nogueira [cantada magistralmente pela inesquecível Clara Nunes])

07 novembro 2006

Vá ao teatro, MAS ME CHAME!


NONADA
(de Pedro Pires e Zernesto Pessoa)

Falar demais dessa peça é estragar a surpresa.
Tudo ali é mágico, medonho e maravilhoso.

"Sras. e Srs., bem-vindos!"

Quem gosta de ler vai se deliciar nessa peça, em que as leituras se entrecruzam num vai-e-vem tvz nunca por vc, leitor, percebido. Um mundo de personagens com histórias em comum...

Adorei. Vou assistir novamente. E recomendo.

Companhia do Feijão
Rua Dr. Teodoro Baima, 68 -- Vila Buarque
(é uma ruazinha que sai da Consolação, ao lado da Rêgo Freitas)

Tel.: 3259-9086
Sexta e sábado às 21h. Domingo, 19h.
R$ 20,00 -- fica em cartaz até dezembro

06 novembro 2006

Satyrianas 2006


Demais o evento Satyrianas – uma Saudação à Primavera
A edição 2006 (aliás, a primeira foi em 2002!) rolou de 2 a 5 de Novembro e estive lá todas as noites.
Vi peças MUITO boas:

“Fila para Discutir o Mundo” – no NEXT
“D4” (de Nilton Bicudo) – no Espaço Parlapatões
“Um Chopes, Dois pastel e uma Porção de Bobagens” – no Espaço Parlapatões
“Tempestade no Espelho” (de Michel Fernandes) Espaço dos Satyros
“Nonada” – na Companhia do Feijão
“Ex-Filhos” – no Espaço Parlapatões
“Núcleo Dois Canta A Mãe de Brecht e Gorki” (de Bertold Becht sobre o romance de Maximo Gorki) – no Teatro Fábrica São Paulo

São peças muito boas. Muitas continuarão em cartaz.
Mas de todas, sempre tem "aquela uma"... e NONADA é d+

31 outubro 2006

Nein (ou "Crise tardia")


Quando eu ainda estava moço
Algum pressentimento
Me trazia volta e meia
Por aqui
Talvez à espera da garota
Que naquele tempo
Andava longe, muito longe
De existir

Tantos tristes fados eu compus
Quanto choro em vão, bolero, blues

Eis que do nada ela aparece
Com o vestido ao vento
Já tão desejada
Que não cabe em si

Neste crucial momento
Neste cruzamento
Se ela olhar para trás
É bem capaz de num lamento
Acudir ao meu olhar mendigo
Mas aquela ingrata corre
E a Barão da Torre e a Vinicius de Moraes
São de repente estranhas ruas
Sem o seu vestido ficam nuas
E ao vento eu digo:
– Tarde demais...

Quando ela já não mais garota
Der a meia-volta
Claro que não vou estar mais nem aí

("Bolero blues" -- Chico Buarque: Carioca)

28 outubro 2006

Elegia à literatura que me estraga



"Caminhas entre mortos e com eles conversas
Sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
E adiar para o outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
Porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan"

(Trecho de "Elegia 1938" -- Carlos Drummond de Andrade: Sentimento do Mundo)

27 outubro 2006

PlastiCidade

26 outubro 2006

Virginia de Medeiros na 27a. Bienal


A instalação Studio Butterfly estreou na edição 2005/2006 do programa “Rumos Itaú Cultural Artes Visuais”. Representa o estúdio real, em Salvador, onde, em 2003, Virginia recebeu e fotografou travestis em troca de fotos pessoais e entrevistas. O conjunto desse trabalho derivou vídeos, fotos e textos. No mote do tema da 27a. Bienal Internacional de São Paulo -- "Como viver junto" --, Virginia apresenta três vídeos produzidos a partir dessa experiência.
Se você se deparar com um livreto de contos, impresso em papel-jornal, na bancada em frente à projeção (Contos -- Virginia de Medeiros), pegue, leve e leia. Vale a pena! Caso você não dê essa sorte (os livretos esgotam-se repentinamente), Virginia disponibilizou ao site Mix Brasil um dos contos, "Malas", que pode ser acessado pelo link http://mixbrasil.uol.com.br/id/trans/baia/baia.shtm
Clica lá!

20 outubro 2006

Poemeto erótico


“Teu corpo claro e perfeito,
- Teu corpo de maravilha,
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha...
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa... flor de laranjeira...
Teu corpo, branco e macio,
É como um véu de noivado...
Teu corpo é pomo doirado...
Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume...
Teu corpo é a brasa do lume...
Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes...
É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama...
Volúpia da água e da chama...
A todo momento o vejo...
Teu corpo... a única ilha
No oceanoa do meu desejo...
Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa, flor de laranjeira...”

(Manuel Bandeira: A Cinza das Horas)

17 outubro 2006

Pela rua


"A cidade é grande
tem quatro milhões de habitantes e tu és uma só.
Em algum lugar estás a esta hora, parada ou andando,
talvez na rua ao lado, talvez na praia
talvez converses num bar distante
ou no terraço desse edifício em frente,
talvez estejas vindo ao meu encontro, sem o saberes,
misturada às pessoas que vejo ao longo da Avenida.
Mas que esperança!
Tenho uma chance em quatro milhões.
Ah, se ao menos fosses mil
disseminada pela cidade.

A noite se ergue comercial
nas constelações da Avenida.
Sem qualquer esperança
continuo
e meu coração vai repetindo teu nome
abafado pelo barulho dos motores
solto ao fumo da gasolina queimada."

(Trecho de "Pela rua" -- Ferreira Gullar: Dentro da Noite Veloz)