28 maio 2007

Ser bolacha em São Paulo...


"Como é bom ser bolacha em São Paulo. Não falta o que fazer."
(Sérgio Ripado -- Editor de Ilustrada da Folha Online)

Seja vc ou não uma bolacha fervida (sim, meu bem! Bolachas "fervem"; mas não tente fazer essa experiência em casa, sem um adulto por perto -- hahahaha), então seu paraíso é aqui -- e não fica necessariamente perto do viaduto Santa Generosa!
Aqui tem bar lés "a escolher" -- Vermont Itaim e República, Farol, BDG, BDF, BDD (Bar da Grá, da Fran, da Dida), O Gato, A Gruta, Santa Sara, Bocage, Cantinho M, Repertório... Tem pra todos os gostos, estilos e faixas etárias (como bem disse Sérgio Ripado, supracitado).
Ah! Fora as festas, né! -- Tête-à-tête, Chá com Bolacha, Trackinas.

Chá com Bolachas: anda rolando no Glória (r. 13 de maio, 830, praça Dom Orione, na Bela Vista). Tel.: 0/xx/11/3270-3700.
Tête-à-Tête: no Espaço Impróprio (r. Dona Antonia de Queiroz, 40, quase esquina com r. Frei Caneca, na Consolação). Tel.: 0/xx/11/3255-5274
TRACKinAS: no Puri (r. Augusta, 2.052).
Depois não digam q eu não avisei.
Fica em casa "se guardando" pra quê? Me conta!
Bolacha guardada fica murcha -- não esquece, tá?
Quanto à escolha da foto, aviso aos navegantes: Sim, eu sou uma admiradora da DykeCulture!
E tenho dito!
(ou seria Dita?)

27 maio 2007

Caralho!


É... é um palavrão!
Bem no título da postagem deste blog!
Por que?
Porque sim!
Apesar da confusão na noite da Virada Cultural, esclareço que admiro a música dos Racionais!
Tenho inclusive este CD, Sobrevivendo no Inferno, do qual gosto muito.
Uma das faixas de que mais gosto é "Qual mentira vou acreditar".
Segue!
São apenas dez e meia, tenho a noite inteira. Dormir é embaçado numa sexta-feira.
TV é uma merda, prefiro ver a lua. Preto Edy Rock está a caminho da rua.
Hã... sei lá, vou pruma festa, "se pam". Se os cara não colar, volto às três da manhã, hã!
Tô devagar, tô a cinqüenta por hora, ouvindo funk do bom, minha trilha sonora.
A polícia cresce o olho, eu quero que se foda! Zona Norte, a bandidagem curte a noite toda.
Eu me formei suspeito profissional, bacharel pós-graduado em"tomar geral".
Eu tenho um manual com os lugares, horários, de como "dar perdido"... Ai, caralho...
-- "Prefixo da placa MY, sentido Jaçanã, Jardim Ebron...".
Quem é preto como eu já tá ligado qual é: nota fiscal, RG, polícia no pé.
-- "Escuta aqui: o primo do cunhado do meu genro é mestiço. Racismo não existe, comigo não tem disso. É pra sua segurança".
Falou, falou, deixa pra lá. Vou escolher em qual mentira vou acreditar.
Tem que saber curtir, tem que saber lidar.
Em qual mentira vou acreditar?
A noite é assim mesmo, então... deixa rolar.
Qual mentira vou acreditar?
Tem que saber curtir, tem que saber lidar.
Em qual mentira vou acreditar?
Pô, que caras chato, ó! Quinze pras onze. Eu nem fui muito longe e os "home" embaçou.
Revirou os banco, amassou meu boné branco. Sujou minha camisa do Santos.
Eu nem me lembro mais pra onde eu vou... E agora? Quem será que ligou?
-- "Me espere na estação, eu tô na Zona Sul, eu chego rapidinho. Assinado: Blue".
Pode crer, naquele lado de Santana conheço uns lugar, conheço umas fulana.
Juliana? Não. Mariana? Não. Alessandra? Não. Adriana?
O nome é só um detalhe, o nome é só um nome. 953... hum, esqueci o telefone.
-- Porra, demorou!
-- E aí, Blue, como é?
-- Isso aqui é um inferno, tem uma par de mulher.
-- Ih...
-- Trombei uma par de gente, uma par de mano...
-- Pode crer!
-- Tô a quase uma hora te esperando.
-- Vixe!
-- Passou uma figura aqui e deu idéia. Disse que te conhece e pá, chama Léa.
-- Eu?
-- Cabelo solto, vestido vermelho, estrategicamente a um palmo do joelho.
-- Hum...
-- Os caras comentaram o visual: "oz bi", que tal, pagando o maior pau. Ninguém falou um "ah!". Ah, mas eu ouvia a meio mundo xingando por telepatia ("filha da puta!"). Economizava o meu vocabulário, não tinha o que falar, falava o necessário. Meio assim, é claro, sei qual é que é, truta? O que não falta é mina filha da puta. Tudo comigo, confio no meu taco. Versão africana "Don Juan de Marco". Tudo muito bom, tudo muito bem, sei lá... o que é que tem... idéia vai, idéia vem. Ela era princesa, eu era o plebeu. Quem é mais foda que eu, espelho, espelho meu?
-- Tipo Taís de Araújo ou Camila Pitanga?
-- Uma mistura. Confesso: fiquei de perna bamba. Será que ela aceita ir comigo pro baile? Ou ir pra Zona Sul ter um grand finale? Amor com gosto de gueto até às seis da manhã, me chamar de "meu preto" e me cantar "Djavan"! Ninguém ouviu, mas... puta que pariu! Em fração de segundos meu castelo caiu! A mais bonita da escola, a rainha passista, se transformou numa vaca nazista! Eu ouvindo James Brown, pá, cheio de pose. Ela pergunto se eu tenho... o quê? Gun's Roses?
-- Xi!
-- Lógico que não! A mina, quase histérica, meteu a mão no rádio e pôs na Transamérica.
-- Como é que ela falou?!
-- Só se liga nessa! Que mina cabulosa, olha só que conversa: que tinha bronca de neguinho de salão...
-- Não...
-- ...que a maioria é maloqueiro e ladrão.
-- Aí não!
-- Aí não, mano? Foi por pouco! Eu já tava pensando em capotar no soco. Disse pra mim não falar gíria com ela...
-- Pode crer!
-- ...pra me lembrar que não tô na favela. Bate-boca, mó goela, será que é meia-noite, já? A Cinderela virou bruxa do mal. Me humilhar não vai, vai tirar o caralho. Levanta o seu rabo racista e sai!
-- Eu conheço essa perversa há maior cara. Correu a banca toda de uns "pleiba" que cola lá na área.
-- Pra mim ela já disse que era solitária, que a família era rígida e autoritária. Tem vergonha de tudo, cheia de complexo, que ainda era cedo pra pensar em sexo.
-- A noite é assim mesmo, então... deixa rolar! Vou escolher em qual mentira vou acreditar.
Tem que saber curtir, tem que saber lidar.
Em qual mentira vou acreditar?
A noite é assim mesmo, então... deixa rolar.
Qual mentira vou acreditar?
Tem que saber curtir, tem que saber lidar.
Em qual mentira vou acreditar?
-- Ih, caralho! Olha só quem tá ali! O que que esse mano tá fazendo aqui?
-- Aí, esse maluco veio agora comigo, ligou que era até seu amigo. Morava lá na sul, irmão da Cristiane. Dei um "cavalo" pra ele no Lausane. Ia levar um recado pra uns parente local, da Igreja Evangélica Pentecostal. Desceu do carro acenando a mão: "A paz do Senhor!". E ninguém dava atenção. Bem diferente o estilo dos crente. Um bom "jaco", touca, mas a noite tá quente. Que barato estranho, só aqui tá escuro. Justo nesse poste não tem luz de mercúrio. Passaram vinte fiéis até agora, dá cinco reais, cumprimenta e sai fora. Um irmão muito sério, em frente à garagem. Outro com a mão na cintura em cima da laje. De vez em quando a porta abre e um diz: "Tem do preto e do branco!". Hã! e coça o nariz. Isso sim, isso que é união! O irmão saiu feliz, sem discriminação! De lá pra cá veio gritando, rezando: "Aleluia, as coisas tá melhorando!". Esse cara é dentista, sei lá... diz que a firma dele chama "Boca S.A.". Será material de construção? Vendedor de pedras? Lá na zona sul era patrão.
-- Ih, patrão o caralho! Ele é safado. Fugiu do Valo Velho com os dias contados.
-- Tava desconfiando...
-- A paranóia de fumar era fatal. Arrombava os barracos e saqueava os varal.
-- Demorou!
-- Bateu na cara do pai de um vagabundo.
-- Hum... tá fazendo hora extra no mundo!
-- A noite tá boa, a noite tá de barato, mas puta, gambé e pilantra é mato!
Tem que saber curtir, tem que saber lidar.
Qual mentira eu vou acreditar?
A noite é assim mesmo, então... deixa rolar.
Qual mentira vou acreditar?
Qual mentira vou acreditar?
Tem que saber curtir, tem que saber lidar.
Tem que andar é esperto, mano.
Qual mentira vou acreditar?
Eu não confio nem na minha própria sombra quando eu saio.
Vou dar um rolê...
Mas tem que saber curtir, tem que saber lidar -- morou?
Em tempo:
Segundo a Academia Portuguesa de Letras, caralho é a palavra com que se denominava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das caravelas, de onde os vigias prescrutavam o horizonte em busca de sinais de terra. O caralho, dada a sua situação numa área de muita instabilidade (no alto do mastro), era onde se manifestava com maior intensidade o rolamento ou movimento lateral de um barco. Também era considerado um lugar de "castigo" para aqueles marinheiros que cometiam alguma infração a bordo. O castigado era enviado para cumprir horas e até dias inteiros no caralho e quando descia ficava tão enjoado que se mantinha tranquilo por um bom par de dias. Daí surgiu a expressão "mandar pro caralho" .

("Qual mentira vou acreditar" -- Racionais MCs: Sobrevivendo no Inferno)

24 maio 2007

MoCidade


14 maio 2007

Eu espero...


Quando criança alguém me disse que a vida era só felicidade
Desde então eu espero
Também disseram "Estude os livros pra saber tudo e ganhar muito"
Assim espero
Hoje trabalho com o que não quero, sei quase nada e ganho pouco
Mas eu tolero
Caso com ele com seus defeitos, mas apostando que ele vai mudar
Então tolero
Os filhos nascem, a vida muda e eu me entrego a este milagre
E com prazer eu espero
Os filhos crescem e vão embora, levando junto minha juventude
Eu espero por felicidade, por dinheiro e sabedoria
Eu tolero o trabalho que odeio
Eu tolero a quem eu nem amo
Eu espero os meus filhos crescerem
Pra uma vida tão curta eu espero e tolero demais.
Demais...
Quando criança alguém me disse que a vida era só felicidade...
("Eu espero" -- Max Gonzaga: Marginal)

11 maio 2007

Friend of mine!


Essa ariana carioca é f...!
-- Vamuaê?
-- Boralá!
Quem resiste a um sorriso desses?

06 maio 2007

Virou baderna!


E acabou em confusão a madrugada da Virada Cultural 2007.
(veja detalhes em http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u135031.shtml)
Uma pena e espero, sinceramente, que isso não macule a boa imagem do evento.
Este ano, mais popular, ele tem atraído mais público -- o que se via na rua, além dos já dispostos paulistanos q adoram uma madrugada (como a notívaga aqui que "vos fala"), famílias inteiras foram assistir a esta festa tão propriamente pauslitana (virar a madruga é a cara de São Paulo).
Mas convenhamos q fazer um evento desses, na maior cidade do país, permitindo livre acesso (ou seja, sem revistar ninguém) é complicado. É pedir para acontecer algo!
A revista é um saco, mas dá mais garantia e aumenta a sensação de segurança para aqueles que foram REALMENTE prestigiar o evento -- como é feito na Paulista, para o Reveillon.

Alô, alô Secretaria de Cultura de São Paulo: vamos organizar isso aí pro ano q vem, hein! Ao invés de trazer público (já tem gente vindo de outras cidades participar), vai é afugentar! Cuidem do evento que a cidade será a maior beneficiada!
São Paulo merece esse carinho.

(e pensar q eu vou deixar essa cidade... vou sentir saudades!)