31 maio 2008

Os quatro tesouros


Na exposição China: Os Guerreiros de Xi'An e os Tesouros da Cidade Proibida, que, em 2003 celebrou os 5 mil anos de civilização chinesa, o que mais me impressionou foram Os quatro tesouros da Sala de Estudos do Imperador: pincel, tinta-bastão, papel e tinteiro!

Foi na dinastia Song (960-1279) que esses elementos ganharam esta designação, por alguns também chamados “os quatro tesouros de escritório”.
Segundo reportagem da época da FolhaOnline, “a tradição exigia que o governante fosse um homem culto, amante da poesia e da filosofia”.
Pena que hoje não seja mais assim...

Imagem capt[ur]ada do site ABTConline

28 maio 2008

No more chica chica boom chic


Faz tempo que não venho postar nada aqui (perdoem-me, mas realmente ando sem tempo).
Entretanto, não podia deixar de vir falar dessa admirável mulher, nossa "Pequena Notável".
Acabou de passar um especial sobre Carmem no Canal Brasil intitulado Banana is my Business, escrito e produzido por Helena Solberg, e pensei "Poxa... nunca postei nada sobre a Carmem".
O documentário é uma delícia, mas traz também a dor de sua perda (me refiro ao modo como ela morreu). Carmem viveu intensamente, em tudo foi extremada, mas deixou sua marca -- indelével e insubstituível. Não houve outra Carmem Miranda.
Sim, houve outras mulheres que levaram o nome do Brasil ao exterior. Hoje, Gisele Bündchen cumpre muito bem esse papel, mas amanhã outra top model pode muito bem vir a fazê-lo.
E Carmem Miranda? Apareceu mais alguma? NÃO, é claro! Por isso minha homenagem.
No elenco, Erick Barreto, que também deixou saudades (para mim, que admiro Carmem, admitir que alguém a imita com "perfeição" é porque realmente o faz, e Erick era brilhante nisso... era a "reencarnação da diva", inquestionavelmente).
E viva Carmem Miranda.
E viva o Brasil.
E vivam os transformistas!

19 maio 2008

No meio do caminho tinha uma pedra


Bem... vamos ver: faz 1 ano que vim ao Rio pra decidir sobre o apê no qual moraria.
É... vai pra 1 ano que me mudei pro Rio (foi em 8 de junho).
Nessa ocasião, vim ver um apê que ficava perto do Arpoador. Eu nunca havia visto o Arpoador...
Segundo o site da RioTur, "localizada entre o Forte de Copacabana e a rua Francisco Otaviano com a Avenida Vieira Souto, o Arpoador é famoso pela pedra que invade o mar separando a Praia de Copacabana, de onde se tem uma das vistas mais bonitas do Rio de Janeiro: de um lado, as praias de Ipanema e do Leblon com o morro Dois Irmãos ao fundo; do outro, as praias do Diabo e Copacabana".
Simples, não?
P.S.: essa foto, mostrando a Pedra do Arpoador, foi tirada em outubro de 2007, a partir da Praia de Ipanema (saca a bandeirinha à direita -- hehehehe; nem foquei de propósito, não? [risos])

14 maio 2008

Oito coisas pra se fazer depois de morrer


Aline, Fadinha do Tempo -- 'sa minina triiiiiiiiiiiiiiiste -- me lançou a pergunta: não haveria também uma lista de oito coisas pra se fazer DEPOIS de morrer?
Pois bem... vamos então cá elencar uns desejos além-túmulo!
Oito Coisas para se Fazer DEPOIS de Morrer:
1. Reclamar com São Pedro (mania de fazer chover nos feriados -- hunf!)
2. Apostar corrida com os anjos entre as nuvens
3. Atravessar uma parede pra ver qual a sensação
4. Assombrar alguém (sabe aquele seu desafeto? hora da vingança -- huahuahua! [risos sombrios])
5. Voar por todos os continentes do mundo (uau! parafraseando Karnak: "As ALMAS é que são felizes; não têm de ter visto para entrar no país") e por outros planetas
6. Baixar numa mesa branca e dizer que sou Joana D’Arc (pensando bem, como não sei falar francês, vou dizer que sou Jenis Joplin)
7. Aprender a tocar lira com o arcanjo Uriel (o mais inacessível!)
8. Curtir o melhor visual que existe, com vista para a galáxia (u-hu!)
Tudo isso, fora conversar com mortos ilustres (toda uma eternidade para horas de papo com Renato Russo, Elis Regina, Chico Science, Cartola, Pixinguinha, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade -- e pra beijar a boca de Cássia Eller! [ao menos até a Maria Eugênia chegar, né?]), rever parentes e amigos e tal...
Quem disse que o paraíso não pode ser um lugar divertido?
P.S.: com todo o respeito aos mortos citados -- e mais ainda à mesa branca.

10 maio 2008

Bücherverbrennung


Há 75 anos, em 10 de maio de 1933, na Alemanha, deu-se início a Bücherverbrennung (queima em público de livros escritos pelos judeus, políticos dissidentes, e outros não aprovados pelo Estado) pelos nazistas em Munique, Berlim e outras cidades alemães.

Vale a pena nos reportarmos à definição da Wikipédia para o evento:
"Bücherverbrennung significa em Alemão literalmente queima de livros. É um termo muitas vezes associado à ação propagandística dos Nazis, organizada entre 10 de Maio e 21 de Junho de 1933, poucos meses depois da chegada ao poder de Adolf Hitler. Em várias cidades alemãs foram organizadas nesta data queimas de livros em praças públicas, com a presença da polícia, bombeiros e outras autoridades. Estudantes, em particular os estudantes membros das Verbindungen, membros das SA e SS participaram nestas queimas. A organização deste evento coube às associações de estudantes alemãs NSDStB e a ASTA, que com grande zelo competiram entre si tentando cada uma provar que era melhor do que a outra. Foram queimados cerca de 20.000 livros, a maioria dos quais pertencentes às bibliotecas públicas, de autores oficialmente tidos como 'pouco alemães' (undeutsch).
Entre os livros queimados pelos Nazis contavam-se obras quer de autores falecidos como também contemporâneos, perseguidos pelo regime, muitos deles tendo emigrado. Na lista encontramos, entre outros, Thomas Mann, Heinrich Mann, Walter Benjamin, Bertold Brecht, Lion Feuchtwanger, Leonhard Frank, Erich Kästner (que anónimo assistia na multidão), Alfred Kerr, Robert Musil, Carl von Ossietzky, Erich Maria Remarque, Joseph Roth, Nelly Sachs, Ernst Toller, Kurt Tucholsky, Franz Werfel, Sigmund Freud, Karl Marx, Heinrich Heine e Erich Kästner
."

Citando o próprio Heinrich Heine, poeta alemão listado em antepenúltimo no rol acima: “Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas”. Curiosamente, Heine profetizou isso muito antes, em 1821, quando escreveu Almansor.

Outro livro famoso, Fahrenheit 451, obra de ficção escrita por Ray Bradbury em 1953, cujo título faz alusão à temperatura em que o papel de livros se incendeia, é comumente associado a este fato histórico. Mas devemos no lembrar que, na História, já muitos outros episódios de “book burning” ocorreram – infelizmente!

08 maio 2008

Ensaio sobre a cegueira I


Dias desses, estava eu num dos muitos papos-cabeça com um amigo.
Trocávamos e-mail, falando sobre EDUCAÇÃO.
Sendo ele professor, reclamava do nível dos alunos (coisa cada vez mais lamentável atualmente).
Isso já foi dito e rediscutido "n" vezes, e pode suscitar uma longa discussão sobre "de quem é a culpa", e até mesmo eu reconheço que já levantei essa bandeira: os professores também estão cada vez piores.
Ocorre que, no caso do meu amigo, eu CONHEÇO o professor e SEI que conteúdo é o que não falta ali.
Juntando-se às diversas outras "histórias de sala de aula" que ouvi ou li em jornais, o fato é que, com louváveis exceções, a molecada anda cada vez pior (em termos de desrepeito aos professores em sala de aula) e mais BURROS!
Os dirigentes, por sua vez, também já lavaram as mãos (esse meu amigo mesmo, por exemplo, ouviu da diretora que o que mais importa a ela é que o professor saiba "dominar a sala", não permitindo que os alunos de lá saim para os corredores para fazer baderna -- ou seja: "evite que os alunos me dêem trabalho, seja lá o que você faça para domá-los lá dentro").
A barbárie se instaurou nas salas de aula, especialmente nas escolas públicas!
Entre estojos, apagadores, grampeadores, cadeiras e outros OVIs (objetos voadores identificados), nem sempre saem os professores ilesos (seja física ou moralmentne -- afinal, "como foi que ele deixou que isso acontecesse?"). Ora, vejam só, Sr. Professor: "Como foi que você deixou que, ao entrar em sala, com as mãos ocupadas por livros e cadernos, um grapeador te atingisse a cabeça e te rasgasse a testa? Onde você estava que não viu isso acontecer?".
É o fim da picada!
E o que resta ao professor? Trazer uma mordaça e um par de algemas pra cada aluno, tomando o cuidado de solicitar a um inspetor que os prenda antes de ele entrar em sala?
Sempre tenho vorazes discussões com o pessoal de educação, ainda mais porque dei aula e cursei Pedagogia (ou seja, falo com propriedade, e sempre desafio aqueles que não dão aula e se dão ao direito de colocar a culpa no professor). Meu mantra é sempre o mesmo: "Você não sabe o que é uma sala de aula!".
Esse meu amigo mesmo... Antes de ele começar a dar aulas, conversávamos muito. Sempre achei que ele tinha uma visão um tanto "romântica" da educação nas escolas públicas brasileiras, do que se passa MESMO dentro de uma sala de aula.
Exceto nobres casos, de escolas que conseguem (desde a diretoria) manter um mínimo de condições de trabalho, respeito e educação nas escolas públicas, aquilo é a "sucursal do inferno". Hoje, ainda mais. Se não houver uma direção (diretora/vice-diretora/coordenadora) DE PULSO FIRME, eles deitam e rolam! Se o pobre professor for um "eventual", piorou! Ainda mais quando, como acontece algumas vezes, o titular diz que "não é pra prestar atenção a nada do que o eventual passa, pois o professor sou eu"! Opa! Onde foi parar o corporativismo?
Fica difícil manter o controle da sala assim.
Alegro-me quando descubro professores do ensino público que não têm graves problemas de disciplina nas salas de aula.
E pra piorar mais um pouco -- e esse, sim, é o assunto central desta postagem --, hoje ninguém quer estudar, não. MEIA DÚZIA realmente se importa com isso. Sei lá o que essa molecada tem na cabeça. Titica de galinha! Depois não sabem porque rico continua rico e pobre continua pobre ad eternum: não vão se formar em nada, terão empregos que pagam pouco e assim a vida segue...
Uma vez escutei essa: "Não sei pra quê estudar. Meu irmão nunca estudou e hoje é dono de seu próprio negócio".
Parabéns. Mas convenhamos que essa não é a regra, é a exceção. Majoritariamente, quem não estuda vai ter um subemprego, ganhar mal ou razoavelmente e, pior, não ter NADA na cabeça.
Não estou falando apenas de estudo formal, não. Estou falando de entender a engrenagem que engendra o mundo, estou falando de ter argumentos para discutir aumento de salário, para cobrar dos políticos medidas para a melhoria das condições de vida da população, estou falando das oportunidades para mudar de emprego e galgar os degraus, mesmo que pequenos, de uma modesta ascensão econômica pessoal. É disso tudo isso que estou falando.
Mas não! Na contramão disso está o "Mundo de Marlboro", usando a expressão que meu professor de Filosifa usava. Ele dizia que quando se sonhou que um dia o proletarido chegaria ao poder (da mesma forma que os burgueses fizeram com a monarquia -- depondo a então "classe dominante"; e que agora, portanto, seria a vez destes serem depostos), não se contava com um estrategema poderosíssimo: a propaganda!
Com a monarquia não tinha conversa: ou você nascia agraciado por ela ou estava automaticamente excluído dos privilégios. Com a burguesia foi diferente: claro que você pode ser um de nós e gozar de todos os direitos que nós temos -- basta se tornar burguês. Essa foi a idéia.
Só que, à essa altura, falava-se somente de trabalho.
Acontece que hoje as pessoas já perceberam que "quem trabalha não tem tempo para ganhar dinheiro" e que o poder continua sempre nas mãos dos mesmos. O que poucos perceberam é POR QUÊ.
É uma pena... se percebessem, estudariam!
Ao invés disso, resolveu-se contar com a sorte -- e o que mais se vende hoje é ilusão. Pão, circo e está tudo resolvido. E as pessoas compraram a idéia -- isso é que mata e mantêm as coisas "nos seus 'devidos' (muitas aspas) lugares"!
E diante dos vários casos de "vitória pessoal", fica essa impressão de que "você pode ser o próximo sorteado". Nem precisa se preparar para tal -- um dia, a sorte simplesmente baterá à sua porta e você vai passar daí (pobreza) pra cá (riqueza) num passe de mágica, como ocorre com a menina da periferia que foi descoberta pela indústria da moda, o menino da favela que se tornou famoso jogador de futebol, os ganhadores do BBB, os sorteados na mega-sena.
"Você pode! Tudo isso pode ser seu!". Estudar pra quê?
Ok... mas, vamos ser mais niilistas (ou melhor, realistas): e se você não for contemplado, que vida te espera? É só o dinheiro que "enobrece o homem"? (trabalho duro só não enobrece -- isso todo mundo já percebeu; só não percebeu ainda a lacuna que há aí).
Felizes aqueles que não nasceram em berço de ouro e logo se tocaram de que o SABER é que "enobrece o homem", promove-lhes o status de HOMENS (porque PENSAM) e não de objetos reificados e manipulados pelo empregador; aqueles que sabem o quanto vale o seu trabalho e cobram por ele -- ou largam mão e vão atrás de coisa melhor (porque criaram as condições para o fazer). Disso é que os alunos não se tocaram: que se eles não forem a "bola da vez" na roda da sorte, vão ter te trabalhar como todos os mortais. O ponto aí é: "trabalhar em quê". Se eles refletissem sobre isso, eles estudariam, pra ter acesso a oportunidades melhores de trabalho, de ganhos -- e, de quebra, terem alguma coisa na cabeça!
Eu queria que os alunos tivessem essa mentalidade, que enxergassem isso, que percebessem que serão maionetes exploradas e sem condições ao menos de argumentar, pois não se prepararam pra isso.
É lamentável que se permitam cegar desta forma...
E, enquanto isso, tascam o apagador na cabeça do professor.
Quem mandou ele não ter acertado na mega-sena!?
Post Scriptum
A quem interessar possa (e antes de lançarem meu nome à fogueira): FUI, a vida inteira, aluna da escola pública e obtive aprovação em três Fuvests, sem ter feito cursinho. Como? ESTUDANDO, oras! E, como eu, conheço alguns outros.
E não me venham com essa de que tivemos "condições" de estudar. Conheço quem estudava à noite porque trabalhava o dia inteiro. Aquelas que liam madrugada adentro, depois de os filhos já terem ido dormir. Os que perderam finais de semana de um ano inteiro para poder se empenhar. Condições todo mundo tem. Mas, primeiro, tem de querer criá-las.
(Image by Cool Slayer)

01 maio 2008

14 anos fora de cena de um cara fora de série