29 junho 2008

Disque-Solidão LGBTT no Rio


De acordo com reportagem de Alba Valéria Mendonça para o site G1, a Secretaria de Assistência Social do Rio de Janeiro lançou este mês um Disque-Solidão “voltado exclusivamente para o público gay”.
O Programa, cuja intenção é ampliar a convivência entre gays, tem como público-alvo pessoas com mais de 40 anos. Segundo o secretário municipal de Assistência Social, Marcelo Garcia, “a idéia é abrir espaço para um grupo de convivência de homossexuais com mais de 40 anos”. Afirma também que o serviço é pioneiro no Brasil (parece que em Genebra, na Suíça, há um serviço semelhante para o público gay) e que “a intenção não é formar casais ou promover encontros românticos. Mas sim, ajudar as pessoas a sair do isolamento e ampliar seu leque de amizades” e que “a criação de um serviço exclusivo para homossexuais nada tem a ver com discriminação: (...) A solidão é um reflexo da sociedade urbana, que não permite que as pessoas se conheçam. E esse isolamento é ainda maior com pessoas com mais idade. Por isso, queremos oferecer essa oportunidade de uma convivência diferenciada”, disse Garcia à reportagem.
O secretário declara, ainda: “Sou gay e sei que tem assuntos que os gays gostam de discutir com outros gays. É uma questão de vivência. O Disque-Solidão Gay é para essas pessoas que viviam em guetos que hoje não existem mais. Hoje, só existem festa rave, bares e boates voltados para o público jovem. O homossexual cinqüentão fica isolado”.
O Programa é derivado de um outro, de mesmo nome (Disque-Solidão), voltado para as pessoas da terceira idade, que obteve 500 chamadas apenas no mês de lançamento.
Interessada?
“Os interessados fazem contato com o sociólogo Rodrigo Salgueiro, que vai identificar e pegar informações sobre as pessoas para formar os grupos de convivência. Dependendo da aceitação do público e da procura, aos poucos vamos ampliando o serviço", disse Garcia.
O tel. informado na reportagem é: (21) 9923-4291.
E parabéns ao secretário pela iniciativa!
Em tempo: LGBTT ou GLBTT? Os engajados sabem o porquê da mudança de nomenclatura. Mas imagina isso na cabeça de um hétero. Imaginou? Agora leia: http://ircontraamare.blogspot.com/2008/06/glbtt-ou-lgbtt.html


Imagem: CORBIS

28 junho 2008

Quanto orgulho!


A Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro lançou, por estes dias, o selo comemorativo do evento “Rio Orgulho Gay – Stone Wall 40 anos”, uma celebração carioca aos 40 anos do histórico levante pela liberdade de expressão e direitos individuais ocorrida em 1969, contra as investidas policiais realizadas ao Bar Stonewall, à época freqüentado por gays, lésbicas e travestis em Nova York.
Segundo dados do site G1, "o evento ocorrerá simultaneamente em Kopenhagen (Dinamarca), Amsterdan (Holanda), Cidade do México (México), Melbourne (Austrália), Tel Aviv (Israel) e Nova York (Estados Unidos)".
Viajante Estelar, minha amiga avant-garde que só ela, já colocou tudo em seu blog (programação -- que se inicia HOJE, Dia Mundial do Orgulho LGBTT! -- e tudo mais).

16 junho 2008

Vida pregressa


Está fazendo 13 anos que a Conferência Mundial da Associação Internacional de Gays e Lésbicas, que aconteceu entre os dias 18 e 25 de junho no Rio, passou por aqui.
Na época, a Folha de S. Paulo publicou várias reportagens (aproximadamente 70!) a partir de 8 de junho daquele ano (1995).
Eu aí com meus 22 anos, recém-ingressa na faculdade (2º. ano), recém-ingerida por São Paulo (que eu já freqüentava desde o ano anterior), vinda do litoral, já me maravilhava com muita coisa havia bem uns 3 anos! (é... estou nessa estrada faz tempo; vinha acompanhando de longe e vim chegando cada vez mais perto, até que – poft! – caí lá dentro de vez, de boca no mundo gay!).
O então ombudsman da Folha, Marcelo Leite, parecia chocado com o “excesso” de atenção que se dava ao tema. Em seu texto “Homossexualismo por metro”, publicado em 2 de julho de 1995, classifica de “exagero” as notícias do jornal sobre o tema, e tasca: “A pergunta que levei à Redação, na segunda-feira, e que quase uma dezena de leitores apresentaram [sic] ao ombudsman ao longo da semana, era (...): haveria tanto interesse no assunto homossexualismo?
SIM, havia! Pois precisávamos ler algo a respeito. Algo sobre o mundo gay em escala mundial. Algo sobre o que estava acontecendo lá fora (e havia MUITA coisa!).
Aquilo a mim foi uma escola! E digo que foi a maior ousadia que a Folha de S. Paulo poderia ter feito – e que muito me felicitou ter sido assinante desse jornal à época.
Ali, eu tomava contato, pela primeira vez, com termos como “drag king” – eu, que já acompanhava a Ilustrada (li muito Suzy Capó) e conhecia todas as gírias do “mundinho”, reconheço que sabia muito pouco do que acontecia fora do país.
Foi na Folha que ouvi falar das drags queens, que me interessei por Luiz Mott, que conheci a extinta “Universo em Desfile”, clubbers, drags e uma legião de seres noturnos da cena gay paulistana (cada um mais interessante que o outro!).
E quanto às gírias do mundinho, então? Afe! Nem se fala! Aleijo, almôndega, basfond, edi, lesada, bill, bi, babado, bolacha, uó, mona, passiva, truque, modelão, racha... O neologismo “gritava” (risos). De novos verbos (aqüendar, dar a elza, fazer a lôca) – ou velhos, mas com novas roupagens (como o verbo “atender”) –, a novos substantivos que demandavam majoritariamente AÇÃO (caçação, ferveção, fechação, montação, pegação), passando por uma infinidade de expressões (“tá, meu bem”, “tô lôca”, “tá boa”, “tô passada”, “o luxo”).
Sim, eu fui clubber! (risos) E tenho muito ORGULHO de dizer, porque foi um movimento que marcou um estilo de vida – noite, drag queens, roupas descoladas... aquela coisa “Érika Palomino” e “Johnny Luxo” de ser, mas que eu reconheço que só me identificava ali, entre meus 20-23 anos.
Nem todo gay era clubber, mas, nessa época, muitos clubbers eram gays, de modo que me foi uma porta de entrada. E das boas! É lógico que quem se metia a ser clubber já estava com meio corpo enfiado no mundo gay, seja pelas amizades que tinha, seja pelas experiências que já tinha tido -- eu me enquadrava no primeiro grupo. E, pra bem da verdade, nesse meio clubber, lésbicas quase não havia. Entretanto, uma vez descoberto o caminho...
I had no reason to be care free (No, no, no)
Until I took a trip to the other side of town (Yeah, yeah, yeah)
You know I heard that boogie rhythm (Hey!)
I had no choice but to get down, down, down, down
Ah... como eu adorava... E sou mesmo MUITO, mas MUITO viada, porque eu AMAVA tudo aquilo! – e continuo amando, é claro! Faz parte da minha história, da minha vida ter passado por tudo aquilo (a noite, a ferveção e todo o pacote all inclusive).
Aliás, pra quem desconhece ou quer relembrar, encontrei um “Glossário” do Mix Brasil que me deixou “bege” (porque tem váááários termos): http://mixbrasil.uol.com.br/id/glossar.htm
Vá lá se divertir, relembrar – ou se informar!
Vale aqui ainda indicar a leitura de uma sumária biografia de Suzy Capó: http://www.sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=52510
Não podia também encerrar esse post sem falar do ícone dessa era clubber. Sim, estou falando de Madonna. Ela era o símbolo da transgressão, então combinava muito com aquele universo. Mas o tempo passa, outras necessidades surgem; “larguei” o universo clubber e acabei, aos poucos, por largar seus ídolos junto (risos). Talvez por isso hoje eu não curta esta cantora... sei lá. Mas já me diverti muito com Madonna, com certeza! Fui inclusive à turnê Girlie Show, quando passou por São Paulo nos anos 90. Ver Vogue ao vivo foi uma emoção indiscritível! Foi maravilhoso! Portanto, em tempo, mais uma indicação: assistam ou revejam aquela versão de Vogue da MTV em que estão todos vestidos à moda da corte francesa. É muito glam!: http://www.youtube.com/watch?v=jjOLh2s-o3M
É isso aí!
Beijos mil desta amapô fervida!
P.S.1: pra quem desconhece, essa aí em cima tem sido minha diva desde os meus 19-20 anos: Dimmy Queer, o Furacão Vermelho. Poxa... quantas pessoas podem dizer que acompanharam o amadurecimento de uma drag queen? Faz nada menos que 15 anos que conheço a drag Dimmy, e tudo o que posso dizer é que ela continua cada vez mais linda e poderosa! Vai Dimmyyyyyyy!
P.S.2: acho que tudo vale a pena, conquanto não nos esqueçamos de que homossexualidade não tem só o lado “festa”, não. Detesto essa gente que quer botar o dedo na cara dos que querem se divertir. Acho que dá pra se divertir sempre, contanto que nos lembremos das responsabilidades que isso envolve. Fui clubber, mas sempre fui consciente; não era uma alienada! Acho que esse é o diferencial e é o que me faz brigar hoje com os dois lados: os alienados demais e os radicais demais - porque, pra mim, nenhum dos dois tem razão.

15 junho 2008

Um choppinho e esta vista maravilhosa!


Chata essa vista, né?
Pois é... e você pode apreciá-la sentadinha, tomando um bom chopp.
Onde? No Botequim Informal, no topo do Botafogo Praia Shopping.
Os petiscos também valem a pena.
Faz um ano que estive lá pela última vez, comemorando minha chegada ao Rio em 8/6/2007.
Sugiro um final de tarde de verão, daqueles bem gostosos, em que o visual fica ainda mais bonito e o chopp ainda mais gostoso (geladinho, contrastando com aquele calor que está fazendo, hein! O que acham?).
Então divirtam-se.
Ok, Ok... você não gosta de shopping centers (eu também não!) e não vai lá nem arrastada?
Tudo bem! Há outros endereços deste mesmo bar espalhados pelo Rio que você curitr (Barra da Tijuca, Leblon, Ipanema, Jd. Botânico, Copacabana, Lapa...). Mas já vou avisando que vai perder o pôr do sol visto lá de cima! Então, faça uma forcinha, vai...
Botequim Informal
Rua Praia de Botafogo, 400 -- loja 808
Botafogo Praia Shopping -- Rio de Janeiro
Tel.: (21) 3171-6442
Imagem capt[ur]ada do site Viagem10