24 novembro 2008

Beleza abandonada



No ano passado, nesta data, fui conhecer com minhas amigas cariocas o Parque da Cidade.
É lindo! Ponto. Não há mais o que dizer.
Só vendo pra crer.
Entretanto, me entristece ver o parque abandonado, e este ano palco de brutal assassinato.
Pena mesmo...
De fato: lá você anda à própria sorte: não há guardas, não há segurança, e uma comunidade se instalou nas costas do parque e foi se estendendo até dentro dele, de modo que o mais seguro é você permanecer perto da entrada deste.
Nós ainda nos aventuramos a subir por alguns caminhos, algumas trilhas etc. Foi uma aventura deliciosa. Estávamos em quatro (quatro mulheres), mas não recomendo o risco.
Pra celebrar o lindo passeio (tiramos fotos maravilhosas), na volta, essas amigas me levaram ao mais tradicional dos restaurantes do Rio: o Aurora (vizinho do já citado e não menos famoso O Plebeu).
Bom passeio com bom final.
Aurora
Rua Capitão Salomão,43
Botafogo -- Rio de Janeiro
Tel.: (21) 2539-4756

18 novembro 2008

The future


Meus olhos, famintos, não se cansam de te acariciar
Procuram sempre um novo ângulo pra te admirar
E sonham mergulhar na sua boca de vulcão
Provar todo o calor que há na sua erupção
Escorregar nos rios claros das margens dos teus pêlos
E encontrar o ouro escondido que brilha em seus cabelos
Devorar a fruta que te emprestou o cheiro
E talvez desfrutar de um amor puro e verdadeiro
Esquecer o espaço, o tempo e o viver
Perder a noção do que é ter a noção do perder
Se um dia eu fui alegria ao te conhecer
Agora canto porque sinto a dor de não te ter

("Admiração" -- Paulinho Moska / imagem: The future; não sei quem a pintou. Primeiro achei a imagem, depois descobri seu nome. Perfeita. Amarga coincidência )

09 novembro 2008

Noite dos Cristais faz 70 anos


Estamos em 15 de setembro de 1935.
O regime nazista de Adolf Hitler promulga as Leis de Nuremberg condenando à categoria de escória todo o povo judeu, “para a proteção do sangue e da honra alemã”. A partir daí, os judeus perdem sua cidadania alemã, são proibidos de se relacionarem com os ditos “arianos”, e “banidos de quaisquer lugares na função pública, de exercer profissões ou de tomar parte na atividade econômica”.

Muito proveitoso para a Igreja Católica, que durante todo o período nazista manteve-se envolta num manto de silêncio. A prática não foi novidade – já a tinham aplicado durante a escravatura; mudaram-se apenas os personagens (ou melhor, acresceram-se outros: além dos negros, temos agora judeus, homossexuais e ciganos devidamente reificados pelo sistema vigente sob a oportuna cegueira da Igreja).

Kristallnacht (Noite dos Cristais), ocorrida em 9 de novembro de 1938, é apenas a conseqüência – mais um passo – desta política de expurgo e espólio do regime nazista: além de difamados, boicotados e agora sumariamente excluídos também de seus direitos, serão agora humilhados e defasados: suas sinagogas incendiadas, suas lojas destruídas, suas casas depredadas.

Era só o início do que ainda estava por vir...

Fontes: UOL (Últimas Notícias – 14/9/2005) e Wikipédia



Em tempo: há um texto de Ben Abraham -- jornalista, escritor e presidente da Sherit Hapleitá do Brasil. Ressalto este trecho:

A ‘Noite dos Cristais’ constituiu para Hitler um balão de ensaio para verificar a reação mundial frente ao primeiro atentado físico aos judeus após ter assumido o poder. E o mundo silenciou, inclusive judeus nas Américas. O mais revoltante neste episódio é o fato da liderança judaica ter exercido influência nos Estados Unidos para vetar a emissão de vistos de entrada para os judeus alemães com a alegação que a sua vinda provocaria maior desemprego e, em conseqüência, desencadearia uma onda de anti-semitismo...”

Ou seja: em linhas gerais, não importa a raça, o ser humano é FDP por essência!

Veja mais em: “A Noite dos Cristais - 65 anos depois” – Revista Visão Judaica ed. 19, de novembro de 2003
http://www.visaojudaica.com.br/Novembro2003/Artigos%20e%20reportagens/anoitedoscristais.htm

07 novembro 2008

O presidente negro


"Desde já asseguro uma coisa: sairá novela única no gênero. Ninguém lhe dará nenhuma importância no momento, julgando-a pura obra da imaginação fantasista. Mas um dia a humanidade se assanhará diante das previsões do escritor, e os cientistas quebrarão a cabeça no estudo de um caso, único no mundo, de profecia integral e rigorosa até os mínimos detalhes."

(LOBATO, Monteiro. O presidente negro, 13ª. ed. São Paulo: Brasiliense, 1979; pp. 52-53)


Não dá pra deixar de comentar a eleição americana.
Menos ainda de que fiquei MUITO satisfeita com o resultado.
Por ter “um pé na cozinha” – ou os dois, a depender do ponto de vista (sim, ainda tem isso, né? No Brasil, essas coisas acontecem; a gama de cores resultante da mistura parece “confundir” as pessoas por aqui) –, não pude deixar de ficar ADMIRADA com essa vitória.

O que mais contava pra mim ali não era, entretanto, o fator “racial” (fosse assim, eu ficaria feliz com a vitória de Lewis Hamilton ou seria fã de Tigger Woods, exponentes em suas áreas -- afinal, cantor negro, artista negro e jogador de basquete negro nos EUA não é novidade; entretanto, na fórmula 1, no golfe, esportes de elite, e na presidência, convenhamos que é um “feito histórico.
Mas o que contava mesmo pra mim era o “sangue novo”. O cara tem 47 anos, aparentando 37, bem mais novo do que quando Bush foi eleito. Adoro isso! Chega do mesmo – aliás, é isso que me irrita no Brasil: aqueles prefeitos, por exemplo, que estão há anos no cargo; o cara não tem mais gás praquilo, mas quer estar ali, “mamando na teta”. Que inferno! Por isso minha torcida era pro Obama, e não pro McCain. Ademais, estava sentindo falta de um democrata na Casa Branca (sim, eu gosto do Clinton!).

Mas essa postagem, apesar da foto do Obama, tem outra finalidade, além de parabenizar o novo presidente estadosunidense.
Quero mesmo é dar meus parabéns e demonstrar toda a minha admiração por um visionário brasileiro de nome Monteiro Lobato.
Gênio das áreas editorial e de literatura infanto-juvenil, Lobato escreveu, há 80 anos, um livro denominada O presidente negro.

O ponto de partida dessa ficção de Lobato são os episódios que envolveriam a eleição do 88°. presidente norte-americano. Atentem para o detalhe: na obra de Lobato, três candidatos disputam os votos -- o negro Jim Roy, a feminista Evelyn Astor e o presidente Kerlog, candidato à reeleição.
Obama, Hillary e McCain?
É de ficar abismado, não?
Pois é!
Agora releiam, acima, a epígrafe desta postagem.
Monteiro Lobato -- esse era o cara!

03 novembro 2008

O mundo muda a gente muda o mundo muda


Há tempos corre pela Internet o “Teste de personalidade do Dr. Phil”.
É um teste bobo, como 95% das correntes que rolam pela rede.
Pouco confiável, é de se duvidar que realmente seja, como apregoa, “um teste real dado pelo departamento de relações humanas dos EUA a muitas das maiores corporações atualmente”, que “as ajuda a ter uma melhor percepção em relação a seus empregados”.
Que seja. Vamos crer que é... (como se fosse possível dizer a respeito da personalidade de alguém num teste de 10 perguntas que leva 2 minutos pra responder!).
A primeira vez que fiz esse teste foi há algum tempo... coisa de três anos. À época, minha pontuação foi 42 -- e me lembro bem disso porque copiei a resposta e guardei num e-mail.
Essa era eu (41 a 50 pontos):
Os outros te vêem como alguém alegre, animado, charmoso, divertido, prático, e sempre interessante, alguém que está constantemente no centro de atenções, mas suficientemente bem equilibrado para não deixar isso subir à sua cabeça. Eles também te vêem como amável, compreensível, alguém que sempre os anima e os ajuda”.
Como eu já disse, “teste de personalidade por e-mail” não ateste NADA a teu respeito, mas é curioso perceber o quanto tuas respostas falam de você.
Lembro que na época fiquei até “felizinha” com a resposta, pois tinha muito a ver comigo.
Nunca mais me lembraria disso, não fossem alguns amigos me mandarem esse teste novamente, todo esse tempo depois...
Dessa vez, chamou minha atenção uma observação quanto ao teste: de que as respostas às perguntas "são sobre quem você é agora... e não quem você era no passado!!".
Pois bem. Respondi novamente ao teste. Não me lembro mais das respostas que eu havia dado da primeira vez, mas me lembrava BEM da definição de minha personalidade, que, como disse, ficou guardada. Desta vez, minha nova pontuação foi 37.
Essa sou eu agora (31 a 40 pontos):
“Os outros te vêem como alguém sensível, cauteloso, prático cuidadoso.
Te vêem como inteligente, talentoso, mas modesto.
Não uma pessoa que faz amigos muito rápido e fácil, mas alguém extremamente leal aos amigos que você faz e que você espera a mesma lealdade.
Aqueles que realmente te conhecem percebem que é difícil abalar sua confiança em amigos, mas também que leva um bom tempo para recuperá-la, se esta confiança se acaba.”
Considerando que o teste mostra quem você é HOJE, o que mudou?
Ver que “mudei de categoria” não me alegrou em nada. Pelo contrário, me deu uma tristeza sem fim. Nada contra quem está na casa dos 31 a 40 pontos, MAS ESSA NÃO SOU EU -- ou, ao menos, não era. E essa é a minha frustração.
Assim leio a nova “definição” de minha personalidade (traduzindo -- uma leitura CRÍTICA de mim): o tempo me tornou pouco ousada e pouco audaciosa, provavelmente em decorrência dos golpes que levamos em nossa autoconfiança e do transcorrer do tempo, quando percebemos que ele está passando e que não nos tornamos exatamente o que queríamos de nós mesmos (refiro-me a conquistas pessoais) ou que a vida não é nem 50% do que desejou para si! (NÃO NEGUE! Lembre-se do ímpeto e entusiamo dos adolescentes... aquela idéia de que tínhamos toda uma vida pela frente e de que tudo daria certo!)
Convenhamos: esse teste é um teste sobre auto-estima, autoconfiança, do tipo "Se você se sente assim, é assim que irão te ver".
Discorda? Leia as definições no teste -- caso o conheça.
À exceção dos extremos (o egocêntrico na pontuação acima de 60, e o derrotado na pontuação abaixo de 21), atente que o termo “líder natural” aparece na definição da pontuação 51 a 60.
Ou seja, quanto mais pra baixo a pontuação, mais as definições começam a delinear uma personalidade cautelosa e que confia pouco (inclusive em si próprio?).
Novamente: nada contra, MAS ESSA NÃO COSTUMAVA SER EU.
Esse papo de “talentoso, mas modesto” foi o fim!
No mundo de hoje, o “talentoso modesto”, se não ficar "esperto", se verá engolido pelos leões corporativos (pense seriamente nas empresas de hoje!).
Ademais, sempre fui extrovertida -- e, pelo teste, hoje sou desconfiada (“Não é uma pessoa que faz amigos muito rápido e fácil”). E convenhamos que o desconfiado ousa menos.
Quanta tristeza...
Curioso observar isso nesse momento da minha vida, pois, justamente, quando me mudei pro Rio, todos os meus amigos apostaram que, em virtude da minha extroversão, eu faria amigos rápido e facilmente.
Não foi o que aconteceu.
Em um ano e meio morando aqui, conheci (no sentido de "fazer amizades reais" -- os que só ficaram no virtual não contam, já que a extroversão tem a ver com o "dar a cara pra bater", se expor, ou seja, situações do mundo real e não do virtual, no qual vivemos "sob a égide do PC que nos protege"), por conta própria (chamo de “conta própria” os contatos que fiz sozinha, e não os “amigos dos amigos”), 4 pessoas. QUATRO. 1-2-3-4 pessoas, em um ano e meio!
Pra um extrovertido, essa costumava ser a média do semestre!
Deixo claro o que já falei: quem sempre foi assim, não se surpreende com a resposta.
Tem seu lado bom: “Os outros te vêem como alguém sensível, inteligente, talentoso”. Isso é legal.
Não estou dizendo que essa "classificação na escala" do teste seja "ruim". É boa.
Mas quem me conhece (há 5, 10, 20 anos), me enquadraria naquela primeira definição que anotei acima, e não na seguinte. O que significa que eu mudei, quando NÃO QUERIA TER MUDADO.
A resposta desse teste, apesar de sua pouca valia, me é bastante significativa nesse momento, de modo que, por mais que eu não considere que ele possa dizer muito a meu respeito, ele fala, em sua resposta final, sobre esse momento. E isso eu não posso ignorar.
E quer saber? Me entristece...
Eu tô ficando velha!
Velha reclamona.
Velha reclamona e desconfiada dos outros.
Velha reclamona, desconfiada e de pouca conversa.
Porra, só me faltava essa, car...o! (risos, risos, risos)