05 julho 2009

Ininterruptemporariamente


A exemplo de blogs de que eu gostava de ler -- Blog da Kriz e Antenaparalésbica, só pra citar alguns --, também eu cansei desta vida digital e parti desta pra melhor.
Bem melhor, aliás: nada como o bom e velho contato presencial, as velhas e novas leituras, e todo um mundo real que urge lá fora (o qual nunca abandonei, mas que tem cada vez mais clamado minha presença).
Assim, anuncio que...
ESTE BLOG ESTÁ FECHADO "ININTERRUPTEMPORARIAMENTE".
A OPÇÃO "COMENTÁRIOS" TAMBÉM FOI DESATIVADA.
Precisando me contactar, escreva-me um email (caso não tenha o número do meu Nextel).
Quando eu e April (a ruiva aí da foto) voltarmos de viagem [risos], responderei a todos eles...
O problema é saber, estando em tão aprazível companhia, quando é que eu vou QUERER voltar... (hehehe)
Enquanto isso, bora lá! Vamos sair por aí, tomar um chopp, um vinho, uma cerveja, um suco, um café, um cappucino...
Bater papo, falar da vida, trocar ideias, ver gente...
Há momentos na vida em que temos de nos calar para poder nos ouvir...
Apagar a luz pra podermos enxergar...
Este foi um deles, ao fim do qual decididamente senti que "a verdade está lá fora" -- na rua, nos livros, nas vitrines das livrarias, nas estantes das biblioteca, nas cadeiras do teatro, nas poltronas do cinema, nos banquinhos dos bares, nos quadros.
Foi bom ter um blog, falar com as pessoas -- mas agora preciso MESMO é ir lá fora ouvir o que elas têm a dizer!
Havia antes aqui uma despedida mais down; troquei por esta... é mais "a minha cara"!
Beijos a todos/as vocês e agredeço àqueles/as que vinham aqui, mesmo de vez em quando, dar uma olhada no blog.
Um belo dia vou lhes telefonar pra lhes dizer que aquele sonho cresceu!
Esta foi a duocentésima sexagésima (260a.) postagem deste blog (ufa!) -- e, ao menos por enquanto, quiçá ao menos por um tempo, a última!
SampaVelox
Foto: Brandon Jennings

28 junho 2009

Vampiras


E já que o assunto é vampira, isso me fez lembrar a mais sensual e célebre vampira dos quadrinhos: Mirela Zamanova – ou MIRZA (à esquerda, na ilustração).
Mirza foi criada por Eugenio Colonnese (falecido em agosto do ano passado) em 1967.
Curiosamente, todos os dias passo em frente à loja Ropahrara e sempre me pergunto se aquela imagem que ilustra a marca (à direita, acima) foi desenhada por Colonnese. Se não, foi notoriamente copiada. As semelhanças são nítidas.
Estou querendo “muito” colocar as mãos na edição de luxo que foi publicada em comemoração aos 40 anos de Mirza, em 2007.
Essa vampira tira o meu sono...

SP Terror e outros programas para o Dia do Orgulho


O Reserva Cultural, na Avenida Paulista, será palco da primeira edição do SP Terror -- Festival Internacional de Cinema Fantástico.
Entre os dias 25 de junho e 2 de julho, serão exibidos cerca de 30 filmes, entre longas e curtas, brasileiros e internacionais.
Quer saber mais? Acesse: http://www.spterror.com/
Hoje, domingo, 28/8, “Dia do Orgulho”, será exibido às 17h na sala 3 o filme Lesbian Vampire Killers (Matadores de Vampiras Lésbicas).
Se interessou? Hum... Acesse: http://www.lesbianvampirekillersmovie.co.uk/
Vejo vocês por lá...!
Dica: depois do cinema, vá “esquentar o corpinho” (tá frio, né, bem?) no Arraiá du Vermont Itaim.
Obs.: eu disse que é pra “esquentar o corpinho”. De que maneira, aí já é problema de cada um! (risos).

Reserva Cultural

Avenida Paulista, 900
Bela Vista – São Paulo, SP
Tel.: (11) 3287-3529

Vermont Itaim
Rua Pedroso Alvarenga, 1.192
Itaim Bibi – São Paulo, SP
Tel: (11) 3071-1320 / 3707-7721

27 junho 2009

Quem ama, cuida


E por falar em "natural processo do envelhecimento pelo qual todos temos de passar" (vide postagem de ontem sobre a morte de Michael Jackson), lembrei-me que há tempos estou pra falar sobre este assunto.
Começo apresentando-lhes Carey Leto, 95, e Venera Magazzu, 97 (fotografadas em 2004 por Jim Cox), 70 anos de união.
Setenta anos! É tempo pra caramba! É uma vida...
Fico feliz que elas tenham uma velhice aparentemente linda e bem, mas sabemos que nem todos nós teremos esta sorte.
Muitos gays -- e algumas lés também -- vivem um pouco essa "síndrome de Peter Pan", não em sua totalidade ("Não quero crescer!"), mas estritamente ligado a um aspecto: "Não quero envelhecer!".
Homens gays e mulheres parecem mais propensos a desenvolvê-la...
Hoje, há botox, plástica, lipo e vários outros recursos que podem garantir uma aparência bela e jovem a qualquer "sessentão" ou "cinquentona".
Porém, não é sobre isso que este post quer "falar", mas sim sobre SEGURANÇA.
Quem ama cuida -- e este é um dos ditados mais velhos que conheço --, de modo que pergunto a você, que é casada, se acaso vocês duas já tomaram algum tipo de providência para que tenham uma velhice tranquila.
Sim, me refiro a poupança, previdência privada, seguro pessoal... E toco neste assunto porque percebo nós, homossexuais, meio "desligados" desse quesito...
Os hetéros querem garantir que, se algo lhes acontecer, seus filhos e sua esposa ficarão bem!
Os gays e lésbicas parecem acreditar que nada vai lhes acontecer nunca (olha lá a síndrome de Peter Pan se manifestando...).
Faz tempo que estou pra tocar neste assunto, e agora parece que veio a calhar.
Nós lésbicas e gays temos poucos direitos garantidos no que se refere a "casamento" (entre muitas aspas).
À exceção daqueles que assinam um contrato de União Civil Estável, todos nós estamos "descobertos" e sem garatia alguma de que dinheiro, bens, pensão etc. irão para as mãos de nossas(os) companheiras(os) (quantos de nós já ouvimos casos assim, de que foi só João morrer para que a família dele "baixasse" no apê em que ele vivia há ANOS com José e "fizesse a limpa", requisitando para si o maior dos direitos -- o dos pais --, e deixando o outro na penúria!).
Assim, minhas queridas e meus queridos: se você está casado há muito tempo, ama e se preocupa com quem ama, tome algumas providências...
Com relação a poupança e/ou previdência privada etc., disso independe o contrato de União Civil Estável -- é só mesmo uma "segurança extra" de que depois que ambas(os) pararem de trabalhar e começarem a viver de aposentadoria poderão manter o mesmo padrão de vida.
Todo ser humano (gay ou HT) deveria pensar nisso...
Afinal, não seremos jovens para sempre!
Pensem nisso!
Beijos da SampaVelox
36 anos, e preocupada com essas questões desde os 30

Trilogia de Sade


Encerra-se esta semana a temporada de peças encenadas no Espaço dos Satyros 2 inspiradas em textos do Marquês de Sade.
Antes tarde do que never, estive lá na semana passada para assistir Os 120 Dias de Sodoma.
Boa a peça!
Hoje, 27/6, haverá uma pequena festa para marcar o encerramento das apresentações, por volta da 1h (da matina, é claro), após a última encenação de Justine, peça à qual vou assistir.
Só ficou me faltando A Filosofia na Alcova, mas como a trilogia está indo pro Rio de Janeiro... fazer o que, né? Vou ter de assistir lá (que chato, não?)
Enquanto isso, já sabem: na madruga de sábado pra domingo, por volta da 1h, no Espaço dos Satyros 2 (Pça. Roosevelt, 134 - Centro), tem "festinha".
Eu, com certeza, estarei lá!
Em tempo: pra quem ainda não foi assistir a nenhuma das três peças, last chance!

26 junho 2009

O rei está morto!



Como alguns de vocês sabem, sou uma DESLIGADA (no sentido de "ligar a TV").
Não assisto TV por nada, à exceção, quiçá, de algumas séries de TV a cabo.
Pois teve minha irmã de me telefonar para me dar esta aterradora notícia na noite de ontem: Michael Jackson está morto!
O maior ídolo do pop MORREU nesta quinta-feira, de parada cardiorrespiratória, perto de completar 51 anos (o que ocorreria em 29 de agosto).

Não quero acreditar que, de algum jeito, Michael tenha provocado a própria morte, mas não chego a duvidar...
Portador da “síndrome de Peter Pan” (imagem o siginificado de alguém assim completar “meio século” de idade), já havia dado claros sinais de que não estava conseguindo lidar com o natural processo do envelhecimento pelo qual todos temos de passar.
E por mais insano que ele tenha nos aparentado nos últimos anos, não podemos deixar de consagrar-lhe, agora ainda mais, o inquestionável título de “último rei do pop”!
Can you feel it?

25 junho 2009

Eu AMO vôlei de praia


E falando em esportes (hoje eu estou "inspirada"...): eu já disse aqui que ADORO vôlei de praia?
Pois é... POR QUE SERÁ?
P.S.: as duas melhores fotos são de duas brasileiras... Cadê? Cadê? Não vou postar, não... Guardei no meu computador para efeito de "arquivo pessoal" (risos)

Esta mereceu!


Hum... vamos deixar este blog, digamos, "mais leve" (considerando as últimas postagens).
Eleita "ícone gay" (leia-se: a preferida das lés) pelas inglesas, a tenista russa Maria Sharapova justifica o título: não é pra menos!
No more comments
(hehehe).

17 junho 2009

Até quando?


Segundo noticiou o Yahoo Notícias:
Morreu hoje uma das vítimas de agressão na 13ª edição da Parada LGBT, ocorrida no domingo, em São Paulo. Marcelo Campos Barros, de 35 anos, estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Misericórdia desde o dia do evento. Barros havia sofrido traumatismo craniano e respirava com a ajuda de aparelhos. Ao todo, o hospital atendeu 44 pessoas agredidas na parada. As outras 43 já receberam alta.
Pelo menos 21 pessoas ficaram feridas com a explosão de uma bomba caseira no Largo do Arouche, no centro da cidade, durante o evento. As vítimas, que tiveram ferimentos leves, foram encaminhadas aos hospitais Santa Casa, Barra Funda e Servidor Público Municipal, mas já receberam alta.

Já segundo notícia do site G1, o rapaz nem ao menos estava na Parada...
Santa Casa constata morte de rapaz agredido após a Parada Gay
Homem foi espancado em uma rua da região central no domingo (14).Médicos haviam declarado morte cerebral nesta quarta-feira (17).
[siga o link pra ler reportagem completa]

Então vos pergunto: até quando?
Basta, não?

Em tempo: assistam ao vídeo que mostra a agressão a Marcelo Campos Barros na reportagem do site Terra Notícias clicando aqui.
Pra quê? Pra criarmos vergonha na cara!

15 junho 2009

Menos putaria, mais cidadania


A despeito de meu comentário de ontem, elucido: JURO que não roguei praga contra a Parada.
Não fui -- lógico! --, mas o que soube é que ela estava visivelmente mais vazia (isso eu já havia reparado pela transmissão da TV: às 13h de ontem foi ao ar uma imagem da Parada bem vazia, comparada a outros anos) e que terminou duas horas (creaim: duas horas!) ANTES do previsto.

A reportagem do Mix, Disparada Gay, deixa claro o que aconteceu por lá.
Não sou o tipo que costuma replicar ecos de uma só voz (costumo ouvir mais de um lado pra formar uma opinião justa sobre o que quer que seja), mas parece que este ano a coisa foi um pouco diferente (em tempo: leiam o primeiro comentário à reportagem do Mix, feito por Cláudio Nóvoa, ao final da página, em http://mixbrasil.uol.com.br/mp/upload/noticia/6_79_73065.shtml -- “mais direitos e visibilidade, e menos carnaval”).
E se foi isso que a fez estar mais vazia e andar mais rápido, então que assim seja!
Como os comentários dos usuários a esta reportagem também atestam isso, vou cá, mesmo sem ter ido lá, fazer um comentário.

Quando eu disse que achava que a Parada deveria ser mais POLITIZADA não quis dizer que deveria “agradar políticos” e sim que deveria CONSCIENTIZAR os participantes.
Isso se perdeu e parece que a organização do evento está querendo resgatar a fórceps -- mas ainda de forma muito desordenada!

Nesta reportagem do Mix, na qual -- claro! -- deixei meu comentário, existem muitas opiniões contra a Parada e a favor dela. Mas quase todas convergem no mesmo ponto: tem mais HT procurando diversão e bee querendo se atirar do que a consciência política daquele ato.
Alguns se colocam a favor, por exemplo, dos carros de casas noturnas (que, como alguém comentou lá, “chamavam o povo bonito que este ano estava ausente” -- bonito e ALIENADO, né?); outros, contra.

Acho que a Parada tem de ser bem dosada: nem tanto a uns nem tanto a outros.
Gente bonita sempre vai ter, mas que não se perca o verdadeiro OBJETIVO da Parada.
E quer saber? Não lamento ter perdido a Parada deste ano, mas sim os eventos que a envolvem durante a semana (estes sim, ótimos!).
A Parada em si, não...
Repito: ela está cheia de marginal (pra usar o termo dito num dos comentários da reportagem do Mix), cheia de HT...
Perdeu o sentido.
Virou “circo”: a gente dança, eles aplaudem.

Os direitos dos homossexuais, pelos quais se luta o ano inteiro e dos quais se fala ao longo da Parada, ninguém ao menos ouve ou dá atenção: os mesmos HTs que estão ali querendo passar a mão em travestis irão se juntar em bando e espancá-lo na semana seguinte.
Porque os HTs que realmente respeitam não estão ali pra “chacoalhar travesti” ou mexer com as lésbicas. Não são estes HTs que queríamos ali naquela festa, mas sim os que realmente se importam. Pois nem estes têm ido mais, já que a festa virou uma zorra de insegurança, bagunça, violência, brigas, arrastão, furto, assalto... (eu já havia assistido a tudo isso em 2006 e, pelo jeito, só vem se intensificando com o passar dos anos!)
Foi a reclamação que mais li naqueles comentários, junto com a insatisfação dos gays pela excessiva participação dos HTs “à procura de menininhas...”, “tentando catar menininhas...”, “mais preocupados em olharem as lésbicas se beijando” (frases pinçadas dos comentários).

O mais curioso é que também se nota o nítido “descontentamento” de alguns pela Parada ter-se tornado mais política -- alguns chegam a taxá-la de “chata”, “menos descontraída”...
Haveria uma confusão entre política e politicagem ou, no fundo, o povo quer mais é se esfregar mesmo e que se danem esses tais “direitos homossexuais”?
Ah... tá! E então, amanhã, se um sujeito deste levar uma curra e for espancado por oito “nêgo”, aí o cara vai se lembrar de que “gay não tem seus direitos garantidos”.
Mas na hora de reivindicar, tava todo mundo “esfregando o pau na avenida” e ninguém se lembrou disso, né?

Pronto! Falei. É isso aí!
Não tem de gostar nem de concordar.
Só acho “irônico” este comportamento: todo mundo só quer festa, só quer farra.
Parece que até a organização da Parada já acordou de que o caminho não é bem por aí... (diversão com conscientização, isso sim! -- pode ser?)
E se este for o preço -- tornarmo-nos impopulares -- que seja!
Como alguém comentou na reportagem do Mix: “e que todos saibam que quantidade não quer dizer qualidade”.
Afinal, toda unanimidade é burra!

14 junho 2009

Parada LGBT: quem festeja o quê?


A edição de 27 de maio da Veja São Paulo trouxe uma interessante discussão a respeito da Parada LGBT de Sampa: "as negociações entre a associação da Parada Gay paulistana e os donos de casas noturnas" para o desfile de trios.
Para quem não leu, indico:

FAZ TEMPO que a Parada LGBT-SP perdeu o rumo. Uma pena...
Quem sabe com essas medidas (leia reportagem no link) as coisas não voltam pros trilhos?
Os objetivos se diluíram em meio à badalação dos trios e de um monte de gente que, na verdade, "se lixa" pros direitos homossexuais -- quer mesmo é ir "pra farra" e vê a Parada como um "carnaval fora de época".
Se isso (leia reportagem no link) vai fazer com que a frequência na Parada diminua, mas que se concentre ali quem realmente "(se) interessa", então eu quero mesmo é que limite -- e cada vez mais!
Só vai quem se interessa pela causa, quem direta ou indiretamente apoia a causa que vamos defender na rua.
É gostoso ter trio, é divertido, mas a coisa tomou uma proporção TAL que se perdeu.
A Parada virou o maior evento da cidade, gera muito lucro, atrai muita gente... Tornou-se um "negócio".
E quando começa a circular muito dinheiro, o "ideal" começa a descer pelo ralo.
A última vez que fui fiquei assustada com o vi: só tinha restado "a festa" -- a rua tava repleta de "manos" querendo "passar a mão" em lésbicas e tra(n)s. Cadê o respeito?
Senti saudades de paradas de anos anteriores...
Que fossem então apenas dois trios (não serão apenas 2... serão 20; veja em
http://www.paradasp.org.br/noticia0035), mas que se RESGATASSE o IDEAL da Parada LGBT-SP.
Ultimamente, a coisa tomou ares de "festa gay" -- "A alma do evento era a disputa entre as casas para ver quem levava os melhores DJs e os foliões mais animados (...)", disse na reportagem linkada Jamil Pessoa, sócio da Bubu Lounge Disco.
Pois é... foi isso que deu depois de mais de 10 anos: as pessoas acham que vamos lá "celebrar nossa linda homossexulidade bela e cor-de-rosa".
Cadê a luta pelos direitos? E fora da festa, ao longo do ano, os gays que apanham, os gays que são assassinados, os gays que se veem tolhidos em seus direitos, no mais amplo sentido da palavra -- são esquecidos nesta hora?
O que vale apenas é "por o corpinho pra vibrar" e disputar com o(a) amigo(a) quantas bocas vai beijar?
Ratifico: não sou contra o lado "divertido" (tem de haver e já me diverti MUITO!), mas com respeito pelo ideal da Parada, e que não se perca de vista o que estamos fazendo ali na rua.

Pra quem vai, boa diversão!
E antes de encerrar esta postagem, mais uma notícia (lida no Lelist; a fonte não foi citada):
"(...) a São Paulo Turismo (SPTuris) fez uma pesquisa que compara o público de 2005 com o de 2008: a presença feminina foi a que mais cresceu nos últimos quatro anos, passando de 34% para 47%. Enquanto isso, a aparição das bees caiu - de 66% para 53% em quatro anos. Já os héteros, que, segundo a pesquisa, buscam diversão, são mais assíduos: de 33% pularam para 40%. Corre o risco de a Parada mudar de nome..."
Tô dizendo... (tsc, tsc, tsc)


Imagem: sem fonte, mas inspirada na famosa foto de Joe Rosenthal que mostra soldados americanos erguendo uma bandeira de seu país na ilha de Iwo Jima durante a Segunda Guerra Mundial.

16 maio 2009

Adriana Calcanhotto: meu retrato


“Personalidade controversa” –- pra abrir esta postagem com um chavão -–, Adriana Calcanhotto é o tipo que não agrada a todos, nem se pretende a tal.
O que me intriga em Adriana são sua sensibilidade e sua, digamos, “erudição poética” (convenhamos: Adriana é douta* nesse quesito, o que é inconteste).
Considerando que ela largou a escola no antigo “segundo colegial” não tendo mais retornado (fonte: por suas próprias palavras, em entrevista para IstoÉ em 2007: “Larguei a escola e nunca mais voltei.”), isso mostra o quanto toda “boa cultura” que ela transpira é fruto de um autodidatismo dosado em sua sensibilidade –- sem isso não se fazem gênios (nem loucos!).
Adriana está entre uma coisa e outra.
Sofre a dor do mundo.
Não a considero uma cantora, mas uma poetisa que canta.
Vejo nela o mesmo que via em Renato Russo.
Trata-se de personalidades “existencialistas”. Vivem a angústia do viver –- por isso compõem, por isso cantam, assim como outros escrevem poesia, pintam, esculpem. “Personas perturbadas” (no bom sentido –- ótimo, aliás).
Diz-se de Michelangelo que era alguém assim –- estou falando de Michelangelo Merisi, mais conhecido como Caravaggio, alcunha toponímica que tomou pra si. Um “perturbador da ordem pública”. Cazuza estava mais pra este tipo: os perturbadores. Outros, entretanto, não perturbam o mundo -- sentem que o mundo os perturba, o que expressam na arte tanto quanto aqueles: são os perturbados. É entre estes que encaixo Renato -- e Adriana.
Heteronímica como Fernando Pessoa, aparta-se de si para produzir um CD para crianças –- inclusive com assinatura de contratos separados na gravadora –- arte manifesta por outra persona: Partimpim.
Introspectiva, reservada, não gosta de expor sua vida pessoal, especialmente a amorosa –- “Tenho uma tendência a pensar que isso não interessa às pessoas.
Está certíssima! Eu mesma posso dizer que meu interesse nela se restringe ao fascínio que sua música causa em mim. Se é lés, se não é (em benefício próprio, eu preferia que ela fosse). Se contraiu concubinato ou vive sozinha. Se gosta de goiaba ou prefere framboesa. Nada disso vem ao caso.
Vitimada por um surto psicótico induzido por interação medicamentosa durante a turnê de lançamento de seu CD Maré em Portugal, extravasa em um livro suas angústias, medos e sensações e publica Saga Lusa. Lerei, certamente!
Enfim: este é MEU RETRATO de Adriana Calcanhotto.
Nós, os ditos fãs, cultivamos o péssimo hábito de “achar que sabemos” sobre nossos “ídolos” (detesto essa palavra!). Não tenho essa pretensão (mal sei de minha própria vida, que dirá!) nem tive aqui essa ambição.
Não sei se esta Adriana que pintei faz jus à verdadeira ou ao menos a ela corresponde em algo (possivelmente não condiz, à exceção dos fatos reais aqui narrados; no mais, são impressões).
Só quis falar aqui da “minha” Adriana, a que eu percebo DESTA forma: bela e perturbada (para nossa sorte!).
Ainda bem que há pessoas assim, cuja arte, expressão dessa angústia, possamos desfrutar.
Afinal, falta isso neste mundo: a inebriante beleza e a sábia loucura.
Obs. (aviso aos incautos): douta aqui não está sendo usado em sentido “acadêmico”; refiro-me àqueles que conhecem bem e apreciam algo -- neste exemplo, a poesia : de Mário de Sá Carneiro, passando por Bandeira a Ferreira Gullar até poetas contemporâneos, no caso de Adriana.

P.S.: Adriana estará neste final de semana no HSBC Brasil (16/5 às 22h; 17/5 às 20h) com seu show Maré. Os preços variam de R$ 60 a R$ 140.

04 maio 2009

Capa redescoberto


Quase 70 anos depois de serem enviadas para o México, caixas com mais de três mil fotografias inéditas da Guerra Civil espanhola tiradas por Robert Capa foram agora descobertas.
A notícia, anunciada pelo jornal norte-americano The New York Times, revela que as três caixas, contendo 127 rolos de filmes, enviadas em 1940 ao general mexicano Francisco Javier Aguilar González, então diplomata na França, foram localizadas pela cineasta Trisha Ziff por intermédio de descendentes de Aguilar González.
As imagens, algumas das quais captadas por Gerda Taro, companheira de Capa, e por David Seymour, mostram combates e cenas cotidianas durante os anos da Guerra Civil na Espanha.

Fonte: IOL Portugal Diário

23 abril 2009

A solidão e o café





Curtindo minha solidão no Café Girondino numa tarde chuvosa em Sampa...
Não há lugar melhor para se esperar a chuva passar do que um café, especialmente os bons e aconchegantes, como este!
Na esquina da Boa Vista, em frente ao Colégio São Bento, no centro, este estabelecimento, inspirado em um café homônimo localizado na esquina da rua XV de Novembro com Praça da Sé no início do século passado, "resgata a memória do centro antigo" com sua "decoração baseada na época do Café -- últimas décadas do século XIX".
A casa tem três ambientes:
· restaurante: no último andar;
· choperia: no mezanino;
· café -- a parte que aqui nos interessa -- e lanchonete: no térreo.
Na dúvida entre os bolos de banana, maracujá, maçã, laranja, cheesecake de goiaba ou de frutas vermelhas (isto só para referir os que me interessaram em particular), fiquei com o bolo "queijadinha" (huuuuuuuuuum!) e não me arrependi. Acompanhado de um bom expresso, numa tarde fria como esta, fez a combinação perfeita!
Então, já sabe: está no centro? choveu? esfriou? corra se aquecer no Girondino!

Café Girondino
R. Boa Vista, 365 - Centro
São Paulo
Tel.: (11) 3229-4574

20 abril 2009

Caso Amazon: erro ou tentativa?


Tema que agitou os blogs – nacional e internacionalmente – na semana passada, o desaparecimento dos títulos de temática GLBT do catálogo de mais vendidos da maior livraria online da atualidade – a Amazon – ainda gera controvérsias quanto a seu desfecho.
Tudo começou no sábado, 11 de abril, quando os usuários do site “passaram a perceber que livros com os temas ‘gay', ‘lésbica', ‘bi' ou ‘transgênero' foram reclassificadas como ‘adultos’ e deixaram de aparecer em algumas buscas e nas listas de best sellers”, entre eles, obras famosas como Brokeback Mountain, de Annie Prouxl e A Cidade e o Pilar, de Gore Vidal.
“O escritor Craig Seymour, autor de All I Could Bare, disse em seu blog que sua posição no ranking de vendas caiu no início do ano e só voltou ao normal após um mês. O livro é classificado no site como um produto para adultos:
Eu comentei isso com a minha editora, e eles começaram a prestar atenção. Também fiz uma pesquisa e vi que os únicos livros sem posição no ranking de vendas tinham conteúdo gay como o meu”.
A “nova política” espantosamente adotada pela livraria veio à tona quando o escritor Mark R. Probst, autor de um romance protagonizado por homossexuais, “resolveu perguntar o motivo do desaparecimento de seu livro do catálogo do site. A resposta que Probst recebeu do serviço de atendimento ao cliente explicava que a Amazon, em consideração à sua base de clientes’, havia decidido retirar o ‘material adulto’ de suas listas de mais vendidos e das buscas”.

BASTOU!
Ondas de protesto e pedidos de boicote à livraria repercutiram pelo globo, zuniram pela rede, via blogs, e entre milhares de usuários do próprio site, que “consideraram a retirada dos títulos da lista uma censura ofensiva”. “No Twitter, popular ferramenta de miniblog, e na rede social Facebook, a questão virou rapidamente tema de discussão e protestos ao longo do fim de semana. A Amazon negou acusações de que teria removido intencionalmente os títulos como uma estratégia para tornar a lista mais ‘familiar’”.
Em tempos globalização e “politicamente correto”, sob as acusações de censura e homofobia, a Amazon tratou rapidamente de se retratar e mandou seu porta-voz, Drew Herdenmer, à imprensa “dar a cara pra bater”, alegando que tudo não passou de um “erro de catalogação”:
– Trata-se de um vergonhoso e torpe erro de catalogação da empresa, que tem muito orgulho em oferecer uma selecção completa de livros.

MESMO?
A pergunta que fica é: teria mesmo sido um erro ou uma tentativa da Amazon de tirar esses livros de destaque? Afinal, “Estar fora da lista dos livros mais vendidos significa perder destaque nas principais páginas do site, o que pode implicar significativa redução das vendas”. Além do que mostra a todos os usuários o quanto livros dessa temática interessam (vide constarem entre os best sellers).
Entretanto, convenhamos que seria muita BURRICE da livraria comportar-se desta forma: afinal, isso também implicaria quedas nas vendas (quem não encontra o livro lá, certamente parte pra outra).
Dúvidas à parte, ficou tudo muito nebuloso quanto a este inexplicável “bug” no site da Amazon.
Acidente ou gesto homofóbico, serviu para mostrar que os usuários em geral, gays ou não, repudiam este tipo de atitude!


Fontes: O Globo, Portal Imprensa, A Capa, Terra Brasil, Destak, IDG Now, Info Online, Exame Informática, G1, Mix Brasil

18 abril 2009

Quer me achar? Desça a Augusta!



Uma amiga me chamou para seu aniversário e tive de declinar do convite.
Este é o mote desta postagem.
(beijos pra ti, Primadonna mia!)
Tento entender minha rejeição por danceterias e bares pequenos com música (bons exemplos são O Gato e o extinto Bar da Grá).
Bares são meu hábitat natural, à exceção daqueles nos quais "não dava pra conversar dentro do bar e não havia uma área de escape BOA onde se pudesse fazê-lo sentada, tomando sua cerveja, como acontecia no extinto Parnaioca (como eu gostava daquele bar!), e como há no Farol, no Bar da Fran...)" (In: http://sampavelox.blogspot.com/2009/04/aqui-me-tens-de-regresso.html)
Algo acontece comigo em lugares assim... Quando entro e sinto o ambiente, se inicia dentro de mim uma "contagem regressiva de 60 minutos" -- é o tempo máximo que eu aguento num lugar onde tem só música tocando em tudo quando é lugar que se vai.
Lugar fechado, um monte de gente circulando com som alto me irrita.
Falo mais que a boca e gosto de ouvir, trocar ideias, saber o que se passa na cabeça das pessoas (ouvi-las falar, opinar, discutir).
Por isso nunca fui a Bubu, por exemplo. Mas vou à Festa Diva na The Week porque tem uma área lá fora imensa onde se pode ficar longe do som...
Ano passado, um amigo (beijos pra vc, Edu!) me levou pr'O Gato. JIZUIS! Saí em 45 minutos voando pro Silo's, um boteco que tem ali ao lado, e ainda fui seguida pelos outros dois amigos que estavam conosco. Ele acabou ficando sozinho no bar...
O mesmo amigo, entretanto, foi quem me apresentou ao Drosophyla, ao Exquisito! e ao Athenas.
Perguntem se eu saí desses lugares em 45 minutos?
Lógico que não. Ambientes agradabilíssimos pra um bate-papo, que correu largo e gostoso.
Às vezes pensei em ir ao Chá com Bolacha no Glória.
Por muito tempo, conhecia o host do Vegas (poderia ter entrado de graça).
Também já abri mão do aniversário de uma amiga na Trash 80.
Este ano, as loucas querem me levar pr'A Lôca (já conheci há uns 4 anos, mais ou menos).
Vou pensar, pois a entrada não é nada "barata" e piora se você pensar que só vai ficar lá por 60 minutos. A vantagem é que fica vizinha ao Silo's Bar, por isso apelidado de Boteco d'A Lôca, do qual vivo falando aqui porque vivo enfiada lá.
Enfim, é como eu disse a esta amiga aniversariante: "No mais, posso sempre ser encontrada nas cercanias da Augusta": Monarca, BH, Charm, Ibotirama, Cuca Ideal -- e, claro, Bar d'A Lôca --, todos botecos de esquina na Augusta (à exceção deste último, que fica numa esquina da Frei Caneca).
Minha praia é bar e boteco.
E como passo muito tempo neles (anteontem eu estava no Charm; semana passada, no Monarca; próxima semana estarei no BH), falar deles é muito fácil pra mim.

Pra quem gosta, vejo vocês por lá, então!
Beijos a todas!
E bom feriado prolongado a vocês!
obs.: estando no Rio (o dia está lindo aqui: sol e céu anil), vou ao Pavão Azul (boteco em Copa, bem pertinho aqui de casa -- dá pra ir a pé!), ao Bar do Mineiro (na deliciosa Santa Tereza) ou a algum lugar de Botafogo (bairro que adoro!) ou Lapa (lar da boemia), matar saudade da noite carioca!

Foto: Pedro Kaa, que, aliás, ilustra um ótimo post sobre o Baixo Augusta no blog Repique, de Paula Guedes: http://repique.blog.terra.com.br/2009/01/12/baixo-augusta-24x7-a-vida-de-quem-mora-na-regiao/

13 abril 2009

Go vegan!


Não sou vegetariana, vegan ou algo que o valha, mas profunda admiradora desta culinária.
Foi somente na semana passada que descobri que a Soroko, sorveteria que conheço desde que abriu mas à qual não retornava há anos, incorporou, já há bastante tempo, a seu cardápio sorvetes vegan: nada de leite! Estive lá, provei e gostei!
Para minha maior surpresa ainda, eu estava hoje caminhando aqui pelas redondezas e me deparo com uma Padaria Vegan (que bárbaro!). Entrei, experimentei e gostei!
Fica aqui então essa dica saudável!
Padaria Vegan
R. Fernando de Albuquerque, 57 (quase de esquina com a Augusta)
Tel.: (11) 3129-5405
Horário: 6h às 22h – todos os dias, exceto feriados!
Sorveteria Soroko
R. Augusta, 305
Tel.: (11) 3258-8639
Horário: 12h às 22h – todos os dias
Imagem capt[ur]ada de VeganMonth.com

11 abril 2009

Aqui me tens de regresso...


Quem frequenta esse blog já sabe o que penso de BARES; já sabe que adoro um boteco e que vira e mexe me encontro enfiada em algum!
Já sabe também onde me encontrar: na região da Augusta -- SEMPRE!
Pois bar pra mim é um lugar pra você se sentir bem -- no meu caso, MUITO BEM, pois é lá que vou gastar muitas horas da minha noite e deixar uma parte do meu dinheiro destinado a lazer! (hehehe).
Bar em São Paulo tem de monte, tem de tudo. E apesar de eu não topar com alguns, tenho de admitir que as pessos devem frequentar os lugares nos quais se sentem bem.
O tão-votado Bar da Dida, por exemplo (leia http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u71357.shtml), é um bar que eu não frequento: já fui por duas vezes e, é claro, "não rolou" (simples: pra quem gosta do ambiente do Boteco da Lôca, não tem como gostar desse outro tipo de bar). O Gato também não.
Confesso: eu gosto de gente, de boemia, de ferveção, de diversidade.
Curiosamente, apesar deste meu perfil, não gosto de som alto -- o extinto Bar da Grá me irritava por causa disso: não dava pra conversar dentro do bar e não havia uma área de escape BOA onde se pudesse fazê-lo sentada, tomando sua cerveja, como acontecia no extinto Parnaioca (como eu gostava daquele bar!), e como há no Farol, no Bar da Fran...).
Enfim... eu e os bares.
Tendo passado quase dois anos fora da cidade, garanto que vocês poderão me ver por aí dando um giro para conhecer o que há de novo e rever o que há de antigo (risos).
Já fui alertada sobre alguns novos dos quais eu deveria fugir ("Xi, já fui... É aquele tipo de bar em que o povo fica se filmando... vai lá pra 'ser visto'. Nem perca seu tempo"), de outros que continuam a mesma coisa ("Tá igual, querida! Aquela mulherada que não vai lá se divertir, mas fazer carão"). Outros ainda, por falta de referência, vou ter de dar a cara pra bater! (risos)
Portanto, a exemplo do último post, a cada visita, um comentário.
Este ano já estive no Farol, no Athenas, no Exquisito, no Galharufa, no Boteco da Lôca (é claro!), no Bar da Dida...
É pouco, mas reconsiderem que fiquei dois meses fora do ar por conta da cirurgia.
Uma vez plenamente recuperada (Ô!): vamos "ao trabalho!" (que chaaaaato!): rever Vermont Itaim, Bar da Fran e Drosophyla; conhecer Boteco Ouzar (pasmem, não conheço!), Espeto de Bambu e Boca Club.
Nos vemos por aí!

GRANDE ADENDO (12 horas depois)
Após uma conversa sobre esta postagem, me senti na obrigação de esclarecer alguns pontos!
Não! Eu não sou contra bares de mulheres lindas, sofisticadas etc. Acho bárbaro.
O que não acho bárbaro é a inaptidão dessa gente em lidar com os humanos.
Esse tipo de lugar em que toda mulher acha que se você lhe pedir o isqueiro emprestado é porque você quer “algo” com ela – o que, automaticamente, lhes reveste de uma carapuça de proteção manifestada pela “cara de bunda” que elas fazem pra você, réles mortal - me enoja.
Eu interpreto isso como “neurose”.
Já cantou Lobão: “Há muito tempo que eu já dizia: toda essa ‘chinfra’ não te garante” – E eu assino abaixo!
Resolvidas MESMO são as porra-lôca descoladas que não necessariamente frequentam botecos (Drosophyla não é boteco, e as garotas de lá são open minded!) e, se de fato forem paqueradas por quem não querem, saem da “saia justa” numa boa, com a vantagem de, não sendo isso, proporem-se a conhecer pessoas legais num bate-papo.
Este é meu clube”, como diz a Nextel. É a este tipo de bar que eu vou. A cerveja pode custar R$ 3,00, pode custar R$ 6,00 – os frequentadores é que fazem toda a diferença.
Claro que há bares em São Paulo em que a dona tem de ser devota de São Jorge, acender-lhes umas velas, que é pra ver se ele tem piedade e não entra no bar dela pra passar a clientela no fio da espada. Sim, tem! Há bares deste tipo, sim.
Mas aí é que está: você se sente bem neste lugar? Se sente-se bem, então vá!
É como eu disse: a relação que estabelecemos com o bar deve ser, acima de tudo, uma relação de bem-estar, de conforto.
Em São Paulo há bares pra tudo e pra todos!
Quanto a mim e quanto a isso: nem tanto ao mar, nem tanto à terra...

06 abril 2009

Sexo casual lés?!



Ontem à noite fui rever o Farol Madalena.
Agradou-me ver, depois de dois anos fora da cidade, que lá continua tendo mulher bonita pra se olhar (honestamente: houve um tempo em que Farol andou "em baixa" neste quesito; pelo que vi, agora está voltando a ser o que era).
Cida Araújo continua "uma gata" (com todo o respeito: Eh! Lá em casa...!), Alex continua charmossérrimo, e minha colega Bil, que fiquei muito feliz em encontrar por lá ainda fazendo parte do staff, continua simpatissíssima.
Cheguei mais cedo ao bar e, como sempre, fiquei observando as frequentadoras. Mania boba: sou megaobservadora. E já que não estava paquerando ninguém mesmo (sim, sou uma mulher casada, oras!), então passei a observar a paquera alheia (afinal, quem estava de olho em quem).
Com a chegada de minhas amigas, o papo embalou e eu disparei:
-- O que se espera quando se vai a um bar lés?
Além de encontrar as amigas, rir e conversar, esteja certa de que "quem sabe, um bom sexo" passa longe desse vocabulário.
No mais, o que vamos encontrar como resposta é "alguém interessante com quem possa ter uma noite interessante e possa nela descobrir afinidades que levem a um relacionamento" (no fundo é isso).
"Alguém interessante com quem possa ter uma noite interessante (com possíveis chances de sexo) e nada mais" parece estar fora de cogitação entre 90% das lés, especialmente as acima dos 30 anos.
POR QUÊ?
Esse foi o mote de nossa conversa.
Ficamos ontem a discutir POR QUE DIABOS lésbicas não se permitem àquilo que HTs e gays praticam numa boa: SEXO CASUAL.

Numa proporção de mulheres (HTs e lés) que querem "encontrar um alguém especial" ou que topam numa boa um "sexo sem compromisso", encontramos o segundo caso mais frequentemente entre as HTs do que entre as lés.
Sim! Estou falando daquela coisa mesmo do "somos adultas, vacinadas, sexo é bom, eu tô afim, você tá afim, vamos deixar rolar numa boa, sem cobranças, sem dia seguinte".
Deveria ser uma situação cotidiana também no encontro entre duas lés, não? Mas não é.
Entrar num bar lés, encontrar uma lés interessante, bater papo, trocar beijos, dar uns amassos, levar pra cama e encarar isso como um "sexo gostoso que rolou, mas não necessariamente tem de se repetir" não acontece entre nós -- ao menos não sem um dos lados ficar magoadíssimo porque esperava que a outra telefonasse no dia seguinte, ou, pior, que um dos lados passe a "perseguir" a outra (jisuiz! que medo!).
E é por essas e outras que a velha piada se justifica:
"Num segundo encontro entre duas lésbicas, uma já se muda pra casa da outra!
No segundo encontro entre dois gays... Segundo encontro? Que segundo encontro?"
É só uma piada, mas mostra muito de cada caso, reservadas as devidas proporções, com seus exageros, é claro...
Porém, além disso: mostra também como os gays são muito mais desencanos pra sexo do que nós -- e não me venham com esse papo pudico de "promiscuidade" entre os gays.
Não estou falando em promiscuidade. Não estou falando de, a cada final de semana, se deitar com uma pessoa diferente.
Estou falando que sexo não está necessariamente atrelado a relacionamento, isso sim.
E, pasmem: este não era, até bem pouco tempo, um típico pensamento meu. Mas a gente amadurece e os pontos de vista também (ainda bem, né?).
Não estou falando de traição. Não estou falando de adultério. Esses casos há muito mais em jogo, muito mais a se refletir.
Estou falando de sexo: clean, light, gostoso e casual.
Percebo que as "novas gerações" de meninas lés já estão mais desencanadas.
Elas já vão pra cama sem compromisso, se cumprimentam no dia seguinte e seguem a vida "numa boa" encarando que "foi legal, quem sabe um dia a gente repete".
Está aí algo para se aprender com as novas gerações!
Foto de Henri Cartier-Bresson, México, 1934

05 abril 2009

Vivendo e aprendendo... SEMPRE!



Fui em busca dessa música da Ellis, que AMO demais, e me deparo com esse clipe.
Tudo bem: o clipe tem alguns trechos defeituosos (reconsiderem -- tem quase 30 anos; é difícil recuperar algo tão antigo). Mas vale a pena: deixem as falhas passarem e assistam até o final. Quem gosta de Ellis não vai se arrepender.
Ela está exercendo TODA a sua tão característica IRREVERÊNCIA nesse clipe (aliás, como sempre, vocês reconhecerão muitas "caras e bocas" de Maria Rita!).
Pra quem tem menos de 30 anos, isso pode não lhes soar tão irreverente assim, mas contextualizem: é um clipe da década de 80.
Pra mim, Ellis e Henfil são os heróis dessa década. É meu casal 20 anos 80, com merecimento!
O deboche, o desbunde, a irreverência, a inteligência desses dois devem-se aplaudir DE PÉ!
Valeu, Ellis!

P.S.: acho que é por isso que minha PREFERÊNCIA sempre foi por mulheres que nasceram nos anos 60 (porque nos ditos anos 80, muito importantes pro Brasil, elas já eram adultas e tiveram a felicidade de passar por esse momento histórico! Acho que elas têm um "q" a mais... algo a ser dito -- e que quero ouvir, descobrir. Em tempo: procurem por uma música de nome 40 ANOS, interpretada por Emílio Santiago; muito bonita!)

obs.: e falando em mulheres, há outro clipe de Aprendendo a Jogar em um especial (suponho que da Vênus Platinada), com Caetano na plateia; Lucia Veríssimo novinha (20 e poucos, mas já gatérrima -- confesso que a melhor imagem que guardo dela foi da casa dos 40, mas sou suspeita pra falar [risos]); Gal Costa (chegando, então, aos 40... gostosíssima!); e, é claro, um SHOW de interpretação de nossa Ellis. Quem quiser assistir, CC/CV:
http://www.youtube.com/watch?v=UQnga_JP2UU

01 abril 2009

Alegria Gullar


Foi ontem à noite de estréia da temporada 2009 do Letras em Cena.
Claro que eu não ia perder essa. Ainda mais com uma homenagem a Ferreira Gullar. Mais ainda quando O PRÓPRIO estava lá para receber tal homenagem!
Aplaudi tanto esse homem! Emocionei-me ao vê-lo ali. (ai, ai... la poésie!)
Diversos atores declaram suas poesias no palco, em sua comovida presença.
Destaco a leitura de Marcelo Várzea -- bem feita, fora do lugar-comum; me surpreendeu.
Fica aqui pra vocês uma poesia de Ferreira Gullar, declamada no evento pela bela Lígia Cortez (charme e talento natos).


A alegria
O sofrimento não tem nenhum valor
Não acende um haloem volta de tua cabeça,
não ilumina trecho algum de tua carne escura
(nem mesmo o que iluminaria a lembrança ou a ilusão de uma alegria).
Sofres tu,
sofre um cachorro ferido,
um inseto que o inseticida envenena.
Será maior a tua dor que a daquele gato que viste
a espinha quebrada a pau
arrastando-se a berrar pela sarjeta sem ao menos poder morrer?
A justiça é moral; a injustiça, não.
A dor te iguala a ratos e baratas
que também, de dentro dos esgotos, espiam o sol
e no seu corpo nojento de entrefezes
querem estar contentes.

24 março 2009

Rato + Teatro = Lecospirose


Já tem programa para o próximo sábado?
Não?!
Então, te convido a comparecer ao Festival Rato de Teatro, na nossa amada Rato de Livraria.
Lá, entre outros nomes, poderás assistir às esquetes de Leco Peres, "que desde 2007 investe na dramaturgia", com integrantes do Projeto ItinerARTE.
"O projeto conta com esquetes rápidos e de fácil produção, quase itinerantes - aderem a um formato similar ao ‘poema-pílula’. A temática gira em torno de críticas sociais e especulações existenciais, tudo regado a humor e situações inusitadas."
Recapitulando: um programa legal para um fim de tarde de sábado em São Paulo, em um lugar bacana e... DE GRAÇA!
Eu não vou perder!
Te encontro lá, então!
Rato de Livraria
Rua do Paraíso, 790
Paraíso -- São Paulo, SP
Tel.: (11) 3569-7882

22 março 2009

Natureza urbana


Podem falar o que for: do tiro, da violência, da bala perdida -- o Rio de Janeiro É a Cidade Maravilhosa.
E olha que todos sabem da paixão que nutro por São Paulo!
Mas se o assunto é qualidade de vida -- céu claro, ar puro, paisagens verdes --, o Rio ganha disparado.
Estive lá neste final de semana e não me canso de me encantar com essa cidade, suas belezas naturais, seus prédios históricos daquela que foi, admitamos, a capital do Brasil.
Essa foto aí acima, por exemplo, mostra uma cotia e um pavão soltos, a passear.
Está pensando que é do zoo? NÃO!
É do Campo de Santana, um parque no centro da cidade!
É como se pudéssemos ver bichos assim soltos, passeando no Trianon. Já pensaram?
Pois no Rio acontece. Simplesmente acontece...!


Foto: Claudio Lara

08 março 2009

Muito a comemorar, muito a se lutar


Neste Dia Internacional da Mulher, nada mais adequado para o contexto brasileiro do que este texto de Eliane Cantanhêde publicado hoje no jornal Folha de S. Paulo.
EM NOME DO PAI
Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, quero fazer um agradecimento público ao arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho.
Ele calou sobre o crime hediondo de um padrasto que estuprava a enteada desde os 6 anos de idade e a engravidou de gêmeos aos 9. Mas excomungou a mãe da menina e a equipe médica pelo aborto que tenta salvar sua vida, sua essência de criança, sua capacidade de ser feliz. Essa inversão produziu excelentes resultados, no melhor momento: mobilizou a imprensa local e nacional e indignou milhões de pessoas na semana que antecedeu o Dia da Mulher, expondo o quanto o fundamentalismo religioso pode ser não apenas retrógrado mas cruel, desumano e, em certa dose, também ridículo, em casos que envolvem de fato vida e futuro. Os assim, particulares. Ou os coletivos, como a pesquisa de células tronco.
Foi uma verdadeira aula, contra o arcebispo, a favor da menina, para mulheres, homens, jovens, velhos, todos os que olharam para a grande vítima horrorizados, chocados, com uma piedade que faltou justamente ao "homem de Deus".
Até a CNBB teve dificuldade para respaldar sua atitude. Numa nota visivelmente constrangida, condena antes o estuprador (que dom José nem sequer citara), reitera a posição contrária ao aborto e não faz uma só defesa da excomunhão.
Para dom José, estuprar crianças é pecado, mas não muito. O que não pode é tentar corrigir as sequelas do estupro, acolher aquela menina, salvar-lhe o corpo, talvez a mente, garantir-lhe o futuro. Para ele, portanto, aborto é mais grave do que estupro. Os médicos que o realizaram são piores do que o suspeito de pedofilia em Catanduva (SP).
Trata-se do típico caso em que a igreja anda para um lado, enquanto o mundo e as pessoas, para o outro, em sentido contrário. É assim que seus pastores perdem seus rebanhos para as evangélicas, as espíritas, as umbandistas. Ou para o ateísmo, puro e simples.

07 março 2009

2a. São Paulo Restaurant Week

O evento em si é a promoção dos restaurantes participantes que oferecem, em suas próprias casas, cardápios especiais por preços promocionais somente durante a duração do evento."
(Luiza Fecarotta, Guia da Folha de S. Paulo)

Que tal passar a semana entrando e saindo (satisfeita, é claro) de restaurantes diversos em São Paulo? Pois esta é a chance! Está acontecendo a São Paulo Restaurant Week.
Segundo o site do evento, "O Restaurant Week surgiu há 16 anos em Nova York, para ser parceiro do Fashion Week e aumentar o volume de vendas na 'Slow Season', época de férias em Julho. Tudo começou muito simples e com cerca de 90 restaurantes participantes em toda a cidade; NYC tem mais de 10.000 restaurantes. O evento teve a duração de uma semana somente, em julho; foi sucesso total.(...)
Hoje, New York tem dois 'Restaurant Week' por ano, um no verão e outro no inverno, e a duração é de duas semanas em média, e não mais uma semana, devido ao grande sucesso. O projeto do Restaurant Week Brasil iniciou pela cidade de São Paulo no segundo semestre de 2007, com a participação de 45 restaurantes (...)"
Este mês, temos a segunda edição de São Paulo, reunindo "um comitê organizador formado por especialistas na área gastronômica, que conseguiu integrar 49 dos melhores restaurantes da cidade".
Quer saber mais sobre o evento, cardápios e restaurantes participantes?
Confira no site oficial: http://www.restaurantweek.com.br/

P.S.: Caso você perca essa segunda edição, não fique triste – a terceira edição de São Paulo já está programada para se realizar em agosto.

06 março 2009

Fim de noite pra valer a pena


Retomando minhas noitadas por São Paulo (sim... CLARO que já estão de volta!) fui rever a Vieira de Carvalho (quanta coragem de minha parte, não?) em plena madrugada de Sampa.
A semana prometia -- estava um calor inacreditável --, mas demos de sair justamente na noite em que o tempo virou.
E isso nos desencorajou? Qual nada!
Após nos sentarmos no Odara (Largo do Arouche, 88), comermos algo e tomarmos umas cervejas, decidimos que ainda não era hora de voltar pra casa. Que bom, pois fomos parar na Roosevelt, meu lugar preferido do centro à noite.
Claro que, àquela hora (3 da madruga!), tudo já estava fechando por ali (detalhe: tudo fervendo ainda, como os bares do Espaço dos Satyros, Papo, Pinga & Petisco, e adjacências) -- portas abertas, mas já com expediente encerrado (só atendendo aos clientes que ainda teimavam em ficar por ali -- e havia MUITOS deles ainda).
Foi então que, felizes, nos deparamos com o Galharufa, ali onde o vento faz a curva.
O que era um espaço pra teatro tornou-se também um bar muito bom, descontraído, com um povo descolado, som legal e cerveja gelada.
E foi ali mesmo a saidera até 4h30 da manhã, com direito a rock dos anos 80, gente bonita e muitas risadas com os amigos.
Curti, indico e vou voltar!
Galharufa
Pça. Franklin Roosevelt, 82
Consolação/Centro -- São Paulo
Tel.: (11) 3151-234

01 março 2009

Pra lá de esquisito


Bom... chega de chorar as mágoas, né?
O que passou, passou e não estou a fim de ficar em casa me lamentando.
Vamos celebrar a vida -- de preferência, com pimenta, que é pra arder! (risos)
É bom arder... nos lembra de que estamos beeeeem vivos! (hehehe)
Então sugiro que vá ao Exquisito!, onde a comida é tão boa quanto o ambiente, e tão bonita quanto o bar e as pessoas que frequentam.
Conselho? Aposte no forte da casa, que são os pratos típicos.
Peça ceviche (não conhecia; adorei!), chilli e tacos.
Acompanhe tudo com uma Norteña bem gelada -- e se joga!
Exquisito!
Rua Bela Cintra, 532
Consolação -- São Paulo
Tel.: (11) 3151-4530

28 fevereiro 2009

Danke schön



Hoje faz um mês que tive alta!
(veja post abaixo: Eu e a brida)
Quero agradecer imensamente a:

  • DEUS (que me botou nessa, mas me tirou dessa, por achar que eu era merecedora de passar mais um tempo por aqui)
  • Nô (quem primeiro me socorreu, aguentou firme ali o dia inteiro e tal... E, semanas depois, ainda ajudou a providenciar minha “segunda ida” pro hospital junto ao RH [a que também agradeço demais a assistência] – CARA, TE DEVO MUITO!)
  • minha mulher (que atravessou de um Estado pra outro, me internou e passou pelos perrengues todos, daqui e de lá – tadinha da minha wife! Te amo muito!)
  • minha irmã (MINHA HEROÍNA, salvadora da pátria, que ficou comigo todo o tempo, providenciou tudo, cuidou de tudo, se preocupou com tudo... me veem lágrimas só de lembrar o quanto minha irmã “segurou” naquelas dez dias de inferno! Te amo demais, minha irmã!)
  • Dra. “Varélia” (que, à distância, me socorreu, me orientou, me monitorou e tudo mais; aluguei “muito” ela – risos. Mil "obrigadas" pra você, "Doutora"! -- hehehe)
  • minhas primas e minha tia [de 70 anos!] (que se revezaram para ficar comigo no hospital, cuidaram do meu transporte e tudo mais. Brigada, brigada, brigada!)
  • meus amigos (Lê – que ofereceu a mim e à minha mulher tudo o que estava a seu alcance, muito além do que uma amizade poderia prover; Má – que também nos ofereceu suporte e ajudou a segurar a barra lá no Rio; Glér, Guto, Edu, Li, Fê, Di, Jac, Dul, Kriz – que me visitaram no hospital; Ana – que foi cuidar de mim em minha “segunda ida” pro hospital; e a todos os outros que, mesmo de longe, permaneceram telefonando pra saber de mim. Adoro vocês!)
  • meu chefe (que voou comigo em seu carro pela 23 de Maio em minha “terceira ida” pro hospital e ficou lá firme e preocupado aguardando a liberação. Valeu, boss!)
  • meus pais (last but not least!, que estão cuidando de mim; as canjas de minha mãe e todos os seus cuidados. Tem sido bom, depois de 15 ANOS, voltar a morar “temporariamente” com eles; reaprender o convívio diário com os pais, reaprender os próprios pais, tem sido uma experiência muito valorosa. Amo muito vocês!)

Eu e a brida


Brida não é somente nome de livro do Paulo Coelho. Brida, em medicina – aliás, “bridas” –, é o “filamento membranoso que atravessa lado a lado cicatrizes, abscessos, úlceras etc.” (segundo Houaiss).
Meu encontro com Brida não foi, portanto, dos melhores. Fosse o nome d’alguma mulher, podemos dizer que foi um blind date quase fatal: pois eis que no mês passado fui surpreendida por um quadro súbito de ABDOME AGUDO, que me levou ao hospital e consequente internação por dez longos dias, período no qual fui submetida a uma cirurgia de emergência por estragulamento da alça intestinal causado por... bridas!
Acreditem: a dor de uma torção intestinal é algo indescritível. Tão indescritível que vou encerrar meu relato por aqui... Afinal, ainda não acabou: estou em recuperação, longe da minha amada Sampa, já tendo voltado ao hospital por duas vezes após a alta, ao longo de fevereiro, por complicações pós-cirúrgicas (como já dizia Alceu Valença, mas ele por motivo bem mais nobre, “dor, dor, dor”).
Enfim, um mês afastada desse blog. Um mês longe de Sampa (e muitos outros se seguirão!). Um mês longe da minha mulher (cuja saudade matei no Carnaval – pelo menos isso! Não aguentava mais de saudade dela. Eu iria pro Rio nem que fosse me arrastando!). Und so weiter!
Um mês fora é bastante tempo -- e me parece justo o suficiente para que alguns leitores e seguidores acabassem por rarear (ou até mesmo cessar) suas visitas a este blog (à exceção de meu fiel amigo [amigo mesmo, da vida "real"] DuPrado, meu bookkeeper). Aos que continuam dando uma passada por aqui, vim dar minhas explicações (acredito, verdadeiramente, que vocês as mereciam depois de todo esse tempo de silêncio). Aos que sumiram de vez... well.. só fazem atestar a superficialidade das ditas “amizades virtuais” que não cuidam ao menos de saber o que te acontece na vida real, em tudo limitando-se a este espaço cibernético em que tudo é perfeito, tudo é controlável, ninguém adoece, ninguém morre e todo mundo é bonito!
No mais, só o tempo dirá. Março vem aí e com ele novos passos vão sendo dados rumo à “recuperação total”. Enquanto isso, na Sala de Justiça, vamos dando tempo ao tempo... Sinto saudade da minha vida anterior, da minha mulher, da boemia, da cerveja gelada, do Black Canela com Menta, das noites paulistanas, da vida cultural. Mas agora, nada disso importa. Aliás, muita coisa passa a não importar – e outras passam a valer MUITO – depois de uma experiência como esta que eu passei (sim, ABDOME AGUDO pode levar a óbito por sepse [http://www.arazao.net/abdome-agudo.html], mas – ainda bem! –, eu não sabia disso enquanto estava internada; só depois fui informada da gravidade do quadro).
Enfim... fico por aqui, no litoral paulistano, aos cuidados de meus pais, blogando quando der na telha, enquanto espero o tempo cumprir o seu papel. Como acredito que tudo na vida tem uma razão de ser, uma lição a se tirar, esse tempo vai ser bom para reflexão (quem diria eu, porra-lôca frenética, me dando ao luxo de parar pra “meditar” – só quando adoeço MESMO).
Espero não ter decepcionado ninguém com meu sumiço ou, ao contrário, com a notícia de que não foi dessa vez que parti dessa pra melhor (melhor?)! Minha Sampa e SampaVelox estão em recesso por enquanto. Passada essa reclusão, vou celebrar essa cura com quatro tatoos! Afinal, o ocorrido merece uma comemoração à altura!

03 janeiro 2009

"... no frio da noite nos campos de Piratininga, nosso cobertor era o fogo..."


De volta à maior cidade da América Latina!
Minha Sampa!
Sampa do meu coração!
Essa cidade é mesmo linda!
Depois de um ano e meio fora daqui, estou de volta!
Sem coração -- mas estou de volta.
Meu coração ficou -- e VAI CONTINUAR -- na Cidade Maravilhosa.
"Palavra é que o coração não pensa" (Renato Russo)
Sim, continuo CASADÍSSIMA e APAIXONADÉRRIMA!
A separação é temporária e apenas física.
Quando duas pessoas maduras e independentes se unem, dá nisso: sabem que a felicidade é um composto que abrange vários aspectos, inclusive as conquistas pessoais, a satisfação profissional.
Por isso os "100% passionais" me enlouquecem! Colocam a emoção acima da razão e acham que "amar justifica tudo e o amor basta por si só", esquecendo-se de que somos, sobretudo, INDIVÍDUOS. Achar esse fifty-fifty razão/emoção é muito difícil.
E porque encontrei alguém assim é que me apaixonei (à primeira vista, de verdade!) e me casei; e porque conheci alguém assim é que tenho a segurança de voltar a São Paulo pra dar continuidade à minha carreira profissional, que já estava mesmo fundamentada aqui (não adianta: São Paulo, na minha área, é mesmo onde tudo acontece!).
Foi profissionalmente bom e emocionalmente ótimo ter passado essa temporada no Rio.
E se agora é preciso que haja essa separação, saibam que as bases foram cuidadosamente sedimentadas ao longo desses quase dois anos, o que nos dá FORÇAS para vivermos essa fase.
Vai ser duro...
De volta à matriz!
Sampa mia!
Foi fechada a "sucursal Rio" (risos).
Agora, os relatos voltam a ser in loco.
Sentirei saudades das amigas que fiz no Rio -- muy queridas!
E não se preocupem, amigas cariocas que deixei nessa cidade: como continuarei indo ao Rio mensalmente, ainda haverá por aqui MUITAS DICAS fluminenses.
E ainda poderemos nos sentar para tomar aquele chopp à beira-mar.
Enfim, voltei a Sampa.
E assim como Scarlett tirava forças da terra vermelha de Tara, sou plenamente cônscia de que é o concentro cinza que ergueu essa cidade -- a maior e melhor cidade do país -- que me leva!
E que assim seja!
São Paulo de Piratininga:
te tenho de volta e você me tem!
Que o lema de teu brasão me conduza!
P.S.:
Non dvcor dvco ("Não sou conduzido, conduzo") é a frase em latim que se lê no brasão da cidade de São Paulo. Nada mais apropriado!

02 janeiro 2009

Cerveja, cigarras e sossego


O que se faz no primeiro dia do ano?
CELEBRA-SE, claro!
Difícil foi achar um boteco legal aberto.
Saímos ontem com um casal de amigos do Flamengo dispostos a encontrar algo, e felizmente encontramos: a Adega da Praça!
Localizada em frente à Praça São Salvador, o boteco é, como dizem os cariocas, um "pé sujo" dos melhores: cerveja gelada, preço justo, iguarias de boteco muito boas (experimentem os pastéis).
Aproveitem o calor que tem feito e apreciem a cerveja gelada no sossego da praça num fim de tarde, quando então ainda ganharão de brinde uma "sinfonia de cigarras" cantando nas árvores que cercam aquele gostoso refúgio.
Adega da Praça
Rua São Salvador, 75
Flamengo - Rio de Janeiro
Tel.: (21) 2558-3285

NOTA DE INDIGNAÇÃO
Quero deixar aqui registrada a dor que sinto quando me deparo com gentinha de mentalidade PROVINCIANA -- seja onde estiver (mas se estiver numa capital, me doi mais ainda, porque acho inadmissível, em pleno século XXI, habitantes da metrópole se permitirem esse tipo de mentalidade CHÃ!), seja qual for sua orientação sexual, não importa.
Pois que eu estava em busca de informações sobre o acima postado Boteco da Praça e acabei me deparando com uma muito justa crítica aos "bares em rede" no Rio de Janeiro, em um determinado blog HT carioca. Concordo com a crítica feita pelo blogueiro, mas junto com ela vem uma nota de que um tal "grupo" (rede de bares) carioca estaria agora investindo em temakerias, vindo o dito comentário com uma desgusting "pausa para o vômito" do ilustríssimo blogueiro . Começando pela nota publicada n'O Globo na coluna Gente Boa, que ilustra a referida postagem naquele blog e relata o mesmo fato acompanhado de um "argh!" do jornalista, e passando pela "pausa para o vômito" do dito blogueiro, que me resta dizer? Que em plena capital, em pleno século XXI, eu seria, por exemplo, obrigada a gostar de "buchada de bode" porque é um "produto nacional"? TENHA A SANTA PACIÊNCIA!
Não gosto de ostras. Olho pra iguaria e me embrulha o estômago. Nem por isso faço "pausa para o vômito" nem sou capaz de descrevê-la assim em meu blog. Tudo bem, é justo: o blog é do cara e ele faz o que dele quiser.
Mas que então me deixe aqui, mesmo que tardiamente, erguer um coro de muitas VAIAS ao colounista de Gente Boa d'O Globo que afirmou que "O Rio periga virar uma cidade cercada de lanchonetes de cones de algas, argh!, os temakis japoneses, por todos os lados". Amigo, na boa: quê que é isso!? Que mentalidade provinciana DA PORRA é essa? Vai pro car...o!
Sei lá... Acho que como eu venho sim, como muito orgulho, da "megalópole cosmopolita", em que nada mais espanta (os punks, os emos, as drags, as kebaberias, os bistrôs e, SIM, as temakerias, entre tantos outras manifestações do novo, do mundo e da diversidade), esse tipo de comentário IMBECIL desse jornalista BOÇAL me irrita de tal maneira que é melhor eu parar aqui.

01 janeiro 2009

Foi um ÓTIMO réveillon


Foi um réveillon maravilhoso, cercado de amigas e do meu amor, num lugar muito legal -- e, acima de tudo, seguro.
Saca a bandeira (hehehehe), bem ali, acima de nossas cabeças, em plena areia da praia de Copacabana (aliás, quem quiser essa dica para próximo réveillon, fale comigo que eu passo os contatos da "Barraca da Fau", em frente ao Copacabana Palace; eu indico [dica de minha muy cara amiga Dida Didi Carioca Praiana Andarilha Estelar -- hehehe]).
Por ora, é o que basta: as lembranças de uma deliciosa noite.
E um lindo 2009 para todas nós!