23 abril 2009

A solidão e o café





Curtindo minha solidão no Café Girondino numa tarde chuvosa em Sampa...
Não há lugar melhor para se esperar a chuva passar do que um café, especialmente os bons e aconchegantes, como este!
Na esquina da Boa Vista, em frente ao Colégio São Bento, no centro, este estabelecimento, inspirado em um café homônimo localizado na esquina da rua XV de Novembro com Praça da Sé no início do século passado, "resgata a memória do centro antigo" com sua "decoração baseada na época do Café -- últimas décadas do século XIX".
A casa tem três ambientes:
· restaurante: no último andar;
· choperia: no mezanino;
· café -- a parte que aqui nos interessa -- e lanchonete: no térreo.
Na dúvida entre os bolos de banana, maracujá, maçã, laranja, cheesecake de goiaba ou de frutas vermelhas (isto só para referir os que me interessaram em particular), fiquei com o bolo "queijadinha" (huuuuuuuuuum!) e não me arrependi. Acompanhado de um bom expresso, numa tarde fria como esta, fez a combinação perfeita!
Então, já sabe: está no centro? choveu? esfriou? corra se aquecer no Girondino!

Café Girondino
R. Boa Vista, 365 - Centro
São Paulo
Tel.: (11) 3229-4574

20 abril 2009

Caso Amazon: erro ou tentativa?


Tema que agitou os blogs – nacional e internacionalmente – na semana passada, o desaparecimento dos títulos de temática GLBT do catálogo de mais vendidos da maior livraria online da atualidade – a Amazon – ainda gera controvérsias quanto a seu desfecho.
Tudo começou no sábado, 11 de abril, quando os usuários do site “passaram a perceber que livros com os temas ‘gay', ‘lésbica', ‘bi' ou ‘transgênero' foram reclassificadas como ‘adultos’ e deixaram de aparecer em algumas buscas e nas listas de best sellers”, entre eles, obras famosas como Brokeback Mountain, de Annie Prouxl e A Cidade e o Pilar, de Gore Vidal.
“O escritor Craig Seymour, autor de All I Could Bare, disse em seu blog que sua posição no ranking de vendas caiu no início do ano e só voltou ao normal após um mês. O livro é classificado no site como um produto para adultos:
Eu comentei isso com a minha editora, e eles começaram a prestar atenção. Também fiz uma pesquisa e vi que os únicos livros sem posição no ranking de vendas tinham conteúdo gay como o meu”.
A “nova política” espantosamente adotada pela livraria veio à tona quando o escritor Mark R. Probst, autor de um romance protagonizado por homossexuais, “resolveu perguntar o motivo do desaparecimento de seu livro do catálogo do site. A resposta que Probst recebeu do serviço de atendimento ao cliente explicava que a Amazon, em consideração à sua base de clientes’, havia decidido retirar o ‘material adulto’ de suas listas de mais vendidos e das buscas”.

BASTOU!
Ondas de protesto e pedidos de boicote à livraria repercutiram pelo globo, zuniram pela rede, via blogs, e entre milhares de usuários do próprio site, que “consideraram a retirada dos títulos da lista uma censura ofensiva”. “No Twitter, popular ferramenta de miniblog, e na rede social Facebook, a questão virou rapidamente tema de discussão e protestos ao longo do fim de semana. A Amazon negou acusações de que teria removido intencionalmente os títulos como uma estratégia para tornar a lista mais ‘familiar’”.
Em tempos globalização e “politicamente correto”, sob as acusações de censura e homofobia, a Amazon tratou rapidamente de se retratar e mandou seu porta-voz, Drew Herdenmer, à imprensa “dar a cara pra bater”, alegando que tudo não passou de um “erro de catalogação”:
– Trata-se de um vergonhoso e torpe erro de catalogação da empresa, que tem muito orgulho em oferecer uma selecção completa de livros.

MESMO?
A pergunta que fica é: teria mesmo sido um erro ou uma tentativa da Amazon de tirar esses livros de destaque? Afinal, “Estar fora da lista dos livros mais vendidos significa perder destaque nas principais páginas do site, o que pode implicar significativa redução das vendas”. Além do que mostra a todos os usuários o quanto livros dessa temática interessam (vide constarem entre os best sellers).
Entretanto, convenhamos que seria muita BURRICE da livraria comportar-se desta forma: afinal, isso também implicaria quedas nas vendas (quem não encontra o livro lá, certamente parte pra outra).
Dúvidas à parte, ficou tudo muito nebuloso quanto a este inexplicável “bug” no site da Amazon.
Acidente ou gesto homofóbico, serviu para mostrar que os usuários em geral, gays ou não, repudiam este tipo de atitude!


Fontes: O Globo, Portal Imprensa, A Capa, Terra Brasil, Destak, IDG Now, Info Online, Exame Informática, G1, Mix Brasil

18 abril 2009

Quer me achar? Desça a Augusta!



Uma amiga me chamou para seu aniversário e tive de declinar do convite.
Este é o mote desta postagem.
(beijos pra ti, Primadonna mia!)
Tento entender minha rejeição por danceterias e bares pequenos com música (bons exemplos são O Gato e o extinto Bar da Grá).
Bares são meu hábitat natural, à exceção daqueles nos quais "não dava pra conversar dentro do bar e não havia uma área de escape BOA onde se pudesse fazê-lo sentada, tomando sua cerveja, como acontecia no extinto Parnaioca (como eu gostava daquele bar!), e como há no Farol, no Bar da Fran...)" (In: http://sampavelox.blogspot.com/2009/04/aqui-me-tens-de-regresso.html)
Algo acontece comigo em lugares assim... Quando entro e sinto o ambiente, se inicia dentro de mim uma "contagem regressiva de 60 minutos" -- é o tempo máximo que eu aguento num lugar onde tem só música tocando em tudo quando é lugar que se vai.
Lugar fechado, um monte de gente circulando com som alto me irrita.
Falo mais que a boca e gosto de ouvir, trocar ideias, saber o que se passa na cabeça das pessoas (ouvi-las falar, opinar, discutir).
Por isso nunca fui a Bubu, por exemplo. Mas vou à Festa Diva na The Week porque tem uma área lá fora imensa onde se pode ficar longe do som...
Ano passado, um amigo (beijos pra vc, Edu!) me levou pr'O Gato. JIZUIS! Saí em 45 minutos voando pro Silo's, um boteco que tem ali ao lado, e ainda fui seguida pelos outros dois amigos que estavam conosco. Ele acabou ficando sozinho no bar...
O mesmo amigo, entretanto, foi quem me apresentou ao Drosophyla, ao Exquisito! e ao Athenas.
Perguntem se eu saí desses lugares em 45 minutos?
Lógico que não. Ambientes agradabilíssimos pra um bate-papo, que correu largo e gostoso.
Às vezes pensei em ir ao Chá com Bolacha no Glória.
Por muito tempo, conhecia o host do Vegas (poderia ter entrado de graça).
Também já abri mão do aniversário de uma amiga na Trash 80.
Este ano, as loucas querem me levar pr'A Lôca (já conheci há uns 4 anos, mais ou menos).
Vou pensar, pois a entrada não é nada "barata" e piora se você pensar que só vai ficar lá por 60 minutos. A vantagem é que fica vizinha ao Silo's Bar, por isso apelidado de Boteco d'A Lôca, do qual vivo falando aqui porque vivo enfiada lá.
Enfim, é como eu disse a esta amiga aniversariante: "No mais, posso sempre ser encontrada nas cercanias da Augusta": Monarca, BH, Charm, Ibotirama, Cuca Ideal -- e, claro, Bar d'A Lôca --, todos botecos de esquina na Augusta (à exceção deste último, que fica numa esquina da Frei Caneca).
Minha praia é bar e boteco.
E como passo muito tempo neles (anteontem eu estava no Charm; semana passada, no Monarca; próxima semana estarei no BH), falar deles é muito fácil pra mim.

Pra quem gosta, vejo vocês por lá, então!
Beijos a todas!
E bom feriado prolongado a vocês!
obs.: estando no Rio (o dia está lindo aqui: sol e céu anil), vou ao Pavão Azul (boteco em Copa, bem pertinho aqui de casa -- dá pra ir a pé!), ao Bar do Mineiro (na deliciosa Santa Tereza) ou a algum lugar de Botafogo (bairro que adoro!) ou Lapa (lar da boemia), matar saudade da noite carioca!

Foto: Pedro Kaa, que, aliás, ilustra um ótimo post sobre o Baixo Augusta no blog Repique, de Paula Guedes: http://repique.blog.terra.com.br/2009/01/12/baixo-augusta-24x7-a-vida-de-quem-mora-na-regiao/

13 abril 2009

Go vegan!


Não sou vegetariana, vegan ou algo que o valha, mas profunda admiradora desta culinária.
Foi somente na semana passada que descobri que a Soroko, sorveteria que conheço desde que abriu mas à qual não retornava há anos, incorporou, já há bastante tempo, a seu cardápio sorvetes vegan: nada de leite! Estive lá, provei e gostei!
Para minha maior surpresa ainda, eu estava hoje caminhando aqui pelas redondezas e me deparo com uma Padaria Vegan (que bárbaro!). Entrei, experimentei e gostei!
Fica aqui então essa dica saudável!
Padaria Vegan
R. Fernando de Albuquerque, 57 (quase de esquina com a Augusta)
Tel.: (11) 3129-5405
Horário: 6h às 22h – todos os dias, exceto feriados!
Sorveteria Soroko
R. Augusta, 305
Tel.: (11) 3258-8639
Horário: 12h às 22h – todos os dias
Imagem capt[ur]ada de VeganMonth.com

11 abril 2009

Aqui me tens de regresso...


Quem frequenta esse blog já sabe o que penso de BARES; já sabe que adoro um boteco e que vira e mexe me encontro enfiada em algum!
Já sabe também onde me encontrar: na região da Augusta -- SEMPRE!
Pois bar pra mim é um lugar pra você se sentir bem -- no meu caso, MUITO BEM, pois é lá que vou gastar muitas horas da minha noite e deixar uma parte do meu dinheiro destinado a lazer! (hehehe).
Bar em São Paulo tem de monte, tem de tudo. E apesar de eu não topar com alguns, tenho de admitir que as pessos devem frequentar os lugares nos quais se sentem bem.
O tão-votado Bar da Dida, por exemplo (leia http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u71357.shtml), é um bar que eu não frequento: já fui por duas vezes e, é claro, "não rolou" (simples: pra quem gosta do ambiente do Boteco da Lôca, não tem como gostar desse outro tipo de bar). O Gato também não.
Confesso: eu gosto de gente, de boemia, de ferveção, de diversidade.
Curiosamente, apesar deste meu perfil, não gosto de som alto -- o extinto Bar da Grá me irritava por causa disso: não dava pra conversar dentro do bar e não havia uma área de escape BOA onde se pudesse fazê-lo sentada, tomando sua cerveja, como acontecia no extinto Parnaioca (como eu gostava daquele bar!), e como há no Farol, no Bar da Fran...).
Enfim... eu e os bares.
Tendo passado quase dois anos fora da cidade, garanto que vocês poderão me ver por aí dando um giro para conhecer o que há de novo e rever o que há de antigo (risos).
Já fui alertada sobre alguns novos dos quais eu deveria fugir ("Xi, já fui... É aquele tipo de bar em que o povo fica se filmando... vai lá pra 'ser visto'. Nem perca seu tempo"), de outros que continuam a mesma coisa ("Tá igual, querida! Aquela mulherada que não vai lá se divertir, mas fazer carão"). Outros ainda, por falta de referência, vou ter de dar a cara pra bater! (risos)
Portanto, a exemplo do último post, a cada visita, um comentário.
Este ano já estive no Farol, no Athenas, no Exquisito, no Galharufa, no Boteco da Lôca (é claro!), no Bar da Dida...
É pouco, mas reconsiderem que fiquei dois meses fora do ar por conta da cirurgia.
Uma vez plenamente recuperada (Ô!): vamos "ao trabalho!" (que chaaaaato!): rever Vermont Itaim, Bar da Fran e Drosophyla; conhecer Boteco Ouzar (pasmem, não conheço!), Espeto de Bambu e Boca Club.
Nos vemos por aí!

GRANDE ADENDO (12 horas depois)
Após uma conversa sobre esta postagem, me senti na obrigação de esclarecer alguns pontos!
Não! Eu não sou contra bares de mulheres lindas, sofisticadas etc. Acho bárbaro.
O que não acho bárbaro é a inaptidão dessa gente em lidar com os humanos.
Esse tipo de lugar em que toda mulher acha que se você lhe pedir o isqueiro emprestado é porque você quer “algo” com ela – o que, automaticamente, lhes reveste de uma carapuça de proteção manifestada pela “cara de bunda” que elas fazem pra você, réles mortal - me enoja.
Eu interpreto isso como “neurose”.
Já cantou Lobão: “Há muito tempo que eu já dizia: toda essa ‘chinfra’ não te garante” – E eu assino abaixo!
Resolvidas MESMO são as porra-lôca descoladas que não necessariamente frequentam botecos (Drosophyla não é boteco, e as garotas de lá são open minded!) e, se de fato forem paqueradas por quem não querem, saem da “saia justa” numa boa, com a vantagem de, não sendo isso, proporem-se a conhecer pessoas legais num bate-papo.
Este é meu clube”, como diz a Nextel. É a este tipo de bar que eu vou. A cerveja pode custar R$ 3,00, pode custar R$ 6,00 – os frequentadores é que fazem toda a diferença.
Claro que há bares em São Paulo em que a dona tem de ser devota de São Jorge, acender-lhes umas velas, que é pra ver se ele tem piedade e não entra no bar dela pra passar a clientela no fio da espada. Sim, tem! Há bares deste tipo, sim.
Mas aí é que está: você se sente bem neste lugar? Se sente-se bem, então vá!
É como eu disse: a relação que estabelecemos com o bar deve ser, acima de tudo, uma relação de bem-estar, de conforto.
Em São Paulo há bares pra tudo e pra todos!
Quanto a mim e quanto a isso: nem tanto ao mar, nem tanto à terra...

06 abril 2009

Sexo casual lés?!



Ontem à noite fui rever o Farol Madalena.
Agradou-me ver, depois de dois anos fora da cidade, que lá continua tendo mulher bonita pra se olhar (honestamente: houve um tempo em que Farol andou "em baixa" neste quesito; pelo que vi, agora está voltando a ser o que era).
Cida Araújo continua "uma gata" (com todo o respeito: Eh! Lá em casa...!), Alex continua charmossérrimo, e minha colega Bil, que fiquei muito feliz em encontrar por lá ainda fazendo parte do staff, continua simpatissíssima.
Cheguei mais cedo ao bar e, como sempre, fiquei observando as frequentadoras. Mania boba: sou megaobservadora. E já que não estava paquerando ninguém mesmo (sim, sou uma mulher casada, oras!), então passei a observar a paquera alheia (afinal, quem estava de olho em quem).
Com a chegada de minhas amigas, o papo embalou e eu disparei:
-- O que se espera quando se vai a um bar lés?
Além de encontrar as amigas, rir e conversar, esteja certa de que "quem sabe, um bom sexo" passa longe desse vocabulário.
No mais, o que vamos encontrar como resposta é "alguém interessante com quem possa ter uma noite interessante e possa nela descobrir afinidades que levem a um relacionamento" (no fundo é isso).
"Alguém interessante com quem possa ter uma noite interessante (com possíveis chances de sexo) e nada mais" parece estar fora de cogitação entre 90% das lés, especialmente as acima dos 30 anos.
POR QUÊ?
Esse foi o mote de nossa conversa.
Ficamos ontem a discutir POR QUE DIABOS lésbicas não se permitem àquilo que HTs e gays praticam numa boa: SEXO CASUAL.

Numa proporção de mulheres (HTs e lés) que querem "encontrar um alguém especial" ou que topam numa boa um "sexo sem compromisso", encontramos o segundo caso mais frequentemente entre as HTs do que entre as lés.
Sim! Estou falando daquela coisa mesmo do "somos adultas, vacinadas, sexo é bom, eu tô afim, você tá afim, vamos deixar rolar numa boa, sem cobranças, sem dia seguinte".
Deveria ser uma situação cotidiana também no encontro entre duas lés, não? Mas não é.
Entrar num bar lés, encontrar uma lés interessante, bater papo, trocar beijos, dar uns amassos, levar pra cama e encarar isso como um "sexo gostoso que rolou, mas não necessariamente tem de se repetir" não acontece entre nós -- ao menos não sem um dos lados ficar magoadíssimo porque esperava que a outra telefonasse no dia seguinte, ou, pior, que um dos lados passe a "perseguir" a outra (jisuiz! que medo!).
E é por essas e outras que a velha piada se justifica:
"Num segundo encontro entre duas lésbicas, uma já se muda pra casa da outra!
No segundo encontro entre dois gays... Segundo encontro? Que segundo encontro?"
É só uma piada, mas mostra muito de cada caso, reservadas as devidas proporções, com seus exageros, é claro...
Porém, além disso: mostra também como os gays são muito mais desencanos pra sexo do que nós -- e não me venham com esse papo pudico de "promiscuidade" entre os gays.
Não estou falando em promiscuidade. Não estou falando de, a cada final de semana, se deitar com uma pessoa diferente.
Estou falando que sexo não está necessariamente atrelado a relacionamento, isso sim.
E, pasmem: este não era, até bem pouco tempo, um típico pensamento meu. Mas a gente amadurece e os pontos de vista também (ainda bem, né?).
Não estou falando de traição. Não estou falando de adultério. Esses casos há muito mais em jogo, muito mais a se refletir.
Estou falando de sexo: clean, light, gostoso e casual.
Percebo que as "novas gerações" de meninas lés já estão mais desencanadas.
Elas já vão pra cama sem compromisso, se cumprimentam no dia seguinte e seguem a vida "numa boa" encarando que "foi legal, quem sabe um dia a gente repete".
Está aí algo para se aprender com as novas gerações!
Foto de Henri Cartier-Bresson, México, 1934

05 abril 2009

Vivendo e aprendendo... SEMPRE!



Fui em busca dessa música da Ellis, que AMO demais, e me deparo com esse clipe.
Tudo bem: o clipe tem alguns trechos defeituosos (reconsiderem -- tem quase 30 anos; é difícil recuperar algo tão antigo). Mas vale a pena: deixem as falhas passarem e assistam até o final. Quem gosta de Ellis não vai se arrepender.
Ela está exercendo TODA a sua tão característica IRREVERÊNCIA nesse clipe (aliás, como sempre, vocês reconhecerão muitas "caras e bocas" de Maria Rita!).
Pra quem tem menos de 30 anos, isso pode não lhes soar tão irreverente assim, mas contextualizem: é um clipe da década de 80.
Pra mim, Ellis e Henfil são os heróis dessa década. É meu casal 20 anos 80, com merecimento!
O deboche, o desbunde, a irreverência, a inteligência desses dois devem-se aplaudir DE PÉ!
Valeu, Ellis!

P.S.: acho que é por isso que minha PREFERÊNCIA sempre foi por mulheres que nasceram nos anos 60 (porque nos ditos anos 80, muito importantes pro Brasil, elas já eram adultas e tiveram a felicidade de passar por esse momento histórico! Acho que elas têm um "q" a mais... algo a ser dito -- e que quero ouvir, descobrir. Em tempo: procurem por uma música de nome 40 ANOS, interpretada por Emílio Santiago; muito bonita!)

obs.: e falando em mulheres, há outro clipe de Aprendendo a Jogar em um especial (suponho que da Vênus Platinada), com Caetano na plateia; Lucia Veríssimo novinha (20 e poucos, mas já gatérrima -- confesso que a melhor imagem que guardo dela foi da casa dos 40, mas sou suspeita pra falar [risos]); Gal Costa (chegando, então, aos 40... gostosíssima!); e, é claro, um SHOW de interpretação de nossa Ellis. Quem quiser assistir, CC/CV:
http://www.youtube.com/watch?v=UQnga_JP2UU

01 abril 2009

Alegria Gullar


Foi ontem à noite de estréia da temporada 2009 do Letras em Cena.
Claro que eu não ia perder essa. Ainda mais com uma homenagem a Ferreira Gullar. Mais ainda quando O PRÓPRIO estava lá para receber tal homenagem!
Aplaudi tanto esse homem! Emocionei-me ao vê-lo ali. (ai, ai... la poésie!)
Diversos atores declaram suas poesias no palco, em sua comovida presença.
Destaco a leitura de Marcelo Várzea -- bem feita, fora do lugar-comum; me surpreendeu.
Fica aqui pra vocês uma poesia de Ferreira Gullar, declamada no evento pela bela Lígia Cortez (charme e talento natos).


A alegria
O sofrimento não tem nenhum valor
Não acende um haloem volta de tua cabeça,
não ilumina trecho algum de tua carne escura
(nem mesmo o que iluminaria a lembrança ou a ilusão de uma alegria).
Sofres tu,
sofre um cachorro ferido,
um inseto que o inseticida envenena.
Será maior a tua dor que a daquele gato que viste
a espinha quebrada a pau
arrastando-se a berrar pela sarjeta sem ao menos poder morrer?
A justiça é moral; a injustiça, não.
A dor te iguala a ratos e baratas
que também, de dentro dos esgotos, espiam o sol
e no seu corpo nojento de entrefezes
querem estar contentes.