Ontem à noite fui rever o Farol Madalena.
Agradou-me ver, depois de dois anos fora da cidade, que lá continua tendo mulher bonita pra se olhar (honestamente: houve um tempo em que Farol andou "em baixa" neste quesito; pelo que vi, agora está voltando a ser o que era).
Cida Araújo continua "uma gata" (com todo o respeito: Eh! Lá em casa...!), Alex continua charmossérrimo, e minha colega Bil, que fiquei muito feliz em encontrar por lá ainda fazendo parte do staff, continua simpatissíssima.
Cheguei mais cedo ao bar e, como sempre, fiquei observando as frequentadoras. Mania boba: sou megaobservadora. E já que não estava paquerando ninguém mesmo (sim, sou uma mulher casada, oras!), então passei a observar a paquera alheia (afinal, quem estava de olho em quem).
Com a chegada de minhas amigas, o papo embalou e eu disparei:
-- O que se espera quando se vai a um bar lés?
Além de encontrar as amigas, rir e conversar, esteja certa de que "quem sabe, um bom sexo" passa longe desse vocabulário.
No mais, o que vamos encontrar como resposta é "alguém interessante com quem possa ter uma noite interessante e possa nela descobrir afinidades que levem a um relacionamento" (no fundo é isso).
"Alguém interessante com quem possa ter uma noite interessante (com possíveis chances de sexo) e nada mais" parece estar fora de cogitação entre 90% das lés, especialmente as acima dos 30 anos.
POR QUÊ?
Esse foi o mote de nossa conversa.
Ficamos ontem a discutir POR QUE DIABOS lésbicas não se permitem àquilo que HTs e gays praticam numa boa: SEXO CASUAL.
Numa proporção de mulheres (HTs e lés) que querem "encontrar um alguém especial" ou que topam numa boa um "sexo sem compromisso", encontramos o segundo caso mais frequentemente entre as HTs do que entre as lés.
Sim! Estou falando daquela coisa mesmo do "somos adultas, vacinadas, sexo é bom, eu tô afim, você tá afim, vamos deixar rolar numa boa, sem cobranças, sem dia seguinte".
Deveria ser uma situação cotidiana também no encontro entre duas lés, não? Mas não é.
Entrar num bar lés, encontrar uma lés interessante, bater papo, trocar beijos, dar uns amassos, levar pra cama e encarar isso como um "sexo gostoso que rolou, mas não necessariamente tem de se repetir" não acontece entre nós -- ao menos não sem um dos lados ficar magoadíssimo porque esperava que a outra telefonasse no dia seguinte, ou, pior, que um dos lados passe a "perseguir" a outra (jisuiz! que medo!).
E é por essas e outras que a velha piada se justifica:
"Num segundo encontro entre duas lésbicas, uma já se muda pra casa da outra!
No segundo encontro entre dois gays... Segundo encontro? Que segundo encontro?"
É só uma piada, mas mostra muito de cada caso, reservadas as devidas proporções, com seus exageros, é claro...
Porém, além disso: mostra também como os gays são muito mais desencanos pra sexo do que nós -- e não me venham com esse papo pudico de "promiscuidade" entre os gays.
Não estou falando em promiscuidade. Não estou falando de, a cada final de semana, se deitar com uma pessoa diferente.
Estou falando que sexo não está necessariamente atrelado a relacionamento, isso sim.
E, pasmem: este não era, até bem pouco tempo, um típico pensamento meu. Mas a gente amadurece e os pontos de vista também (ainda bem, né?).
Não estou falando de traição. Não estou falando de adultério. Esses casos há muito mais em jogo, muito mais a se refletir.
Estou falando de sexo: clean, light, gostoso e casual.
Percebo que as "novas gerações" de meninas lés já estão mais desencanadas.
Elas já vão pra cama sem compromisso, se cumprimentam no dia seguinte e seguem a vida "numa boa" encarando que "foi legal, quem sabe um dia a gente repete".
Está aí algo para se aprender com as novas gerações!
Foto de Henri Cartier-Bresson, México, 1934



