15 junho 2009

Menos putaria, mais cidadania


A despeito de meu comentário de ontem, elucido: JURO que não roguei praga contra a Parada.
Não fui -- lógico! --, mas o que soube é que ela estava visivelmente mais vazia (isso eu já havia reparado pela transmissão da TV: às 13h de ontem foi ao ar uma imagem da Parada bem vazia, comparada a outros anos) e que terminou duas horas (creaim: duas horas!) ANTES do previsto.

A reportagem do Mix, Disparada Gay, deixa claro o que aconteceu por lá.
Não sou o tipo que costuma replicar ecos de uma só voz (costumo ouvir mais de um lado pra formar uma opinião justa sobre o que quer que seja), mas parece que este ano a coisa foi um pouco diferente (em tempo: leiam o primeiro comentário à reportagem do Mix, feito por Cláudio Nóvoa, ao final da página, em http://mixbrasil.uol.com.br/mp/upload/noticia/6_79_73065.shtml -- “mais direitos e visibilidade, e menos carnaval”).
E se foi isso que a fez estar mais vazia e andar mais rápido, então que assim seja!
Como os comentários dos usuários a esta reportagem também atestam isso, vou cá, mesmo sem ter ido lá, fazer um comentário.

Quando eu disse que achava que a Parada deveria ser mais POLITIZADA não quis dizer que deveria “agradar políticos” e sim que deveria CONSCIENTIZAR os participantes.
Isso se perdeu e parece que a organização do evento está querendo resgatar a fórceps -- mas ainda de forma muito desordenada!

Nesta reportagem do Mix, na qual -- claro! -- deixei meu comentário, existem muitas opiniões contra a Parada e a favor dela. Mas quase todas convergem no mesmo ponto: tem mais HT procurando diversão e bee querendo se atirar do que a consciência política daquele ato.
Alguns se colocam a favor, por exemplo, dos carros de casas noturnas (que, como alguém comentou lá, “chamavam o povo bonito que este ano estava ausente” -- bonito e ALIENADO, né?); outros, contra.

Acho que a Parada tem de ser bem dosada: nem tanto a uns nem tanto a outros.
Gente bonita sempre vai ter, mas que não se perca o verdadeiro OBJETIVO da Parada.
E quer saber? Não lamento ter perdido a Parada deste ano, mas sim os eventos que a envolvem durante a semana (estes sim, ótimos!).
A Parada em si, não...
Repito: ela está cheia de marginal (pra usar o termo dito num dos comentários da reportagem do Mix), cheia de HT...
Perdeu o sentido.
Virou “circo”: a gente dança, eles aplaudem.

Os direitos dos homossexuais, pelos quais se luta o ano inteiro e dos quais se fala ao longo da Parada, ninguém ao menos ouve ou dá atenção: os mesmos HTs que estão ali querendo passar a mão em travestis irão se juntar em bando e espancá-lo na semana seguinte.
Porque os HTs que realmente respeitam não estão ali pra “chacoalhar travesti” ou mexer com as lésbicas. Não são estes HTs que queríamos ali naquela festa, mas sim os que realmente se importam. Pois nem estes têm ido mais, já que a festa virou uma zorra de insegurança, bagunça, violência, brigas, arrastão, furto, assalto... (eu já havia assistido a tudo isso em 2006 e, pelo jeito, só vem se intensificando com o passar dos anos!)
Foi a reclamação que mais li naqueles comentários, junto com a insatisfação dos gays pela excessiva participação dos HTs “à procura de menininhas...”, “tentando catar menininhas...”, “mais preocupados em olharem as lésbicas se beijando” (frases pinçadas dos comentários).

O mais curioso é que também se nota o nítido “descontentamento” de alguns pela Parada ter-se tornado mais política -- alguns chegam a taxá-la de “chata”, “menos descontraída”...
Haveria uma confusão entre política e politicagem ou, no fundo, o povo quer mais é se esfregar mesmo e que se danem esses tais “direitos homossexuais”?
Ah... tá! E então, amanhã, se um sujeito deste levar uma curra e for espancado por oito “nêgo”, aí o cara vai se lembrar de que “gay não tem seus direitos garantidos”.
Mas na hora de reivindicar, tava todo mundo “esfregando o pau na avenida” e ninguém se lembrou disso, né?

Pronto! Falei. É isso aí!
Não tem de gostar nem de concordar.
Só acho “irônico” este comportamento: todo mundo só quer festa, só quer farra.
Parece que até a organização da Parada já acordou de que o caminho não é bem por aí... (diversão com conscientização, isso sim! -- pode ser?)
E se este for o preço -- tornarmo-nos impopulares -- que seja!
Como alguém comentou na reportagem do Mix: “e que todos saibam que quantidade não quer dizer qualidade”.
Afinal, toda unanimidade é burra!